terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

CARNAVAL 2012 - 4

Rabaçal às 8,30 H
Rio Rabaçal em degelo
Eclusa da barragem do Pocinho
       Terça feira, dia 21, dia de Entrudo. O dia amanheceu gelado, por ali. O rio Rabaçal, parcialmente solidificado, corria apenas num fio, ao centro. Água nos sanitários não havia, gelada nos canos. O melhor era esperar, com o aquecimento ligado, pois a estrada também não devia estar nas melhores condições de segurança. Barrete enfiado (literalmente), lá fui fotografar o que achei que merecia, embora a máquina também protestasse contra o frio. Com as antigas, de rolo, não me lembro de quaisquer protestos em quaisquer condições... Até as máquinas já são piegas... O único sinal de vida era dado por alguns pássaros madrugadores saltitando de galho em galho, talvez para se aquecerem. Depois de a água descongelar nos canos e de tomado o pequeno almoço, arrancámos para Torre de D. Chama, pela N 206 e aí virámos para sul, até Vilares, Vilarinho do Monte, que faz jus ao nome com uma subida de se lhe tirar o chapéu, estrada municipal que passando debaixo do IP-4, vai desembocar em Macedo de Cavaleiros. A cidade estava a acordar, tiritando de frio. Aqui dentro também é preciso adivinhar onde virar para apanhar a N 216 com destino a Mogadouro. E com as inevitáveis obras que há em todo o lado, a baralhar-nos a memória... Lá nos socorremos da menina do GPS, desta vez sem nenhuma partida. Encontrado o rumo certo, passámos Chacim, onde um grupo de foliões mascarado de um pelotão do exército nos mandou parar para verificação de documentos. Como tudo estava em ordem, pudemos prosseguir pela estrada quase deserta, atravessando a ponte sobre o Sabor e depois atacando a interminável subida até Mogadouro. Aqui chegados, eram horas de almoço. Há nesta vila um restaurante que muitos reputam de disputar o primeiro lugar em Trás-os-Montes, a Lareira. Tem uma posta mirandesa divinal. Desta vez porém, optámos por comprar comida já pronta e fazer a refeição mais rapidamente na autocaravana, junto do parque de campismo, encerrado nesta época. Logo após, prosseguimos pela N 221, por Lagoaça, onde existe uma estação de caminho de ferro da antiga linha do Sabor, recuperada e transformada numa pequena estalagem com restaurante. Seguimos por Carviçais, terra do célebre restaurante "O Artur", Carvalhal, local onde existiam as minas de ferro de Moncorvo que dizem ir ser reactivadas, e Torre de Moncorvo. Aqui fomos até à área de serviço para autocaravanas despejar águas sabonetadas. Descemos depois pela estrada que serpenteia pela montanha já a ver-se a barragem do Pocinho lá ao fundo e finalmente lá chegámos. Continuámos pela estrada antiga (N 102) que passa dentro de V N de Foz Côa. Não se via grande movimento, ao contrário de anos anteriores neste mesmo dia. Prosseguimos até Longroiva, onde virámos para pernoitar de novo em Meda. No dia seguinte era tempo de regresso. Passámos pela barragem de Ranhados, quase vazia, que abastece Meda, a caminho de Penedono e seu belo castelo roqueiro. Continuámos por Sernancelhe, pequena vila sem grandes atractivos, Aguiar da Beira, que no chamado largo dos monumentos concentra a maioria dos seus motivos de interesse, com o pelourinho, a torre do relógio, a Fonte Ameada, a casa dos magistrados e os paços do concelho. Passámos Sátão sem parar e pouco depois entrávamos em Viseu. Estacionámos no largo da feira de S. Mateus e embrenhámo-nos pelas ruelas estreitas da parte velha da cidade, com o seu comércio antigo onde se vende de tudo. Ali almoçámos numa tasca, "O Gonçalinho", uma entre tantas onde se come bem por módicos preços, não sem antes entrarmos na velha e imponente sé, ao lado do museu Grão Vasco. Horas de nos aproximarmos de casa, pela velha N 16. Parámos nas termas de S. Pedro do Sul, para nova descarga de águas na respectiva área de serviço e continuámos por Vouzela, Oliveira de Frades, até Albergaria-a-Velha, onde entrámos na N 1 até Leiria. Sem mais que contar, chegámos a Peniche e assim passámos mais um Carnaval, desta vez sem chuva mas com muito frio. Contas feitas, fizémos 1000 Km. Até à próxima...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

CARNAVAL 2012 - 3

Parque biológico de Vila Flor
Parque biológico de Vila Flor
Parque de campismo de Valpaços
Ponte romana sobre o Rabaçal
        O parque de campismo de Vila Flor é um dos meus parques de referência e que me traz gratas recordações de juventude. É grande, muito arborizado, mas tem vindo a degradar-se de há uns anos para cá. Os blocos sanitários carecem urgentemente de manutenção, e quanto a segurança... Já são várias vezes que o visito nos últimos três anos, entro num dia saio no outro e não encontrei ninguém na recepção. O portão está sempre aberto, portanto é um parque em self-service... Antes de nos irmos embora, fomos dar a volta à barragem do Peneireiro, mesmo por cima do parque. É confrangedor olhá-la! O nível da água está igual ao final de Agosto! Fomos em seguida visitar o parque biológico também ali ao lado, com várias espécies animais, entre elas diversas aves e mamíferos. Seguimos então rumo a Mirandela, paragem incontornável quando andamos por estas bandas. Esta é uma das cidades onde nos abastecemos de azeite e de produtos de fumeiro. Antes, ainda parámos no Cachão, para uma olhadela à estação de caminho de ferro. Ainda sai daqui até Mirandela aquela "caranguejola" esverdeada que substituiu o comboio há uns anos e que foi protagonista dos acidentes que serviram de pretexto ao encerramento da linha. Seguimos depois para Mirandela, onde estacionámos em frente à antiga estação, edifício imponente e agora em ruínas, imagem alegórica do país... Cirandámos pelas ruas da cidade, que é muito bonita. Lojas antiquíssimas convivem lado a lado com modernos pronto-a-vestir, a rua principal cheia de estabelecimentos de venda de produtos "gourmet", recheados de coisas deliciosas! As montras prendem o nosso olhar que avalia alheiras, chouriços, salpicões, farinheiras, morcelas, presuntos, vinhos, azeites, mel, pão, azeitonas, uff! Torna-se inevitável entrar e comprar! Saímos, as mãos cheias de sacos pesados e a carteira mais leve, para tentar arrumar tudo no frigorífico da autocaravana. O cheirinho exalado por aquela parafernália de iguarias, abriu-nos inevitavelmente o apetite, empurrando-nos de novo para a avenida junto ao Tua à procura de poiso para acalmar o estômago. Uma placa junto à porta de um pequeno restaurante sem grande aparência, chamou-nos a atenção e entrámos. Tivemos que provar uma bela alheira acompanhada de um arroz de feijão, regado com um vinho tinto da zona, uma sopa divinal, rematada por um leite creme e um café, tudo por 12€ para dois! Ainda há lugares assim!  Satisfeitos, arrancámos a caminho de Valpaços, pela N 213. O parque fica na margem direita do rio Rabaçal, a meia dúzia de quilómetros da cidade, um pouco depois de Possacos. Lá chegámos pouco depois das quatro horas, com um tempo primaveril. Parque completamente deserto nesta época do ano, mesmo os seis bungalows, todos desocupados. O local é muito agradável, mas sem vivalma por perto. Após o anoitecer, são raros os carros que passam na estrada. O silêncio só é quebrado pelo murmúrio contínuo do rio a saltar o desnível do açude construído em frente, para a praia fluvial. Nem rede de telemóvel existe, o que acentua ainda mais a sensação de isolamento total. Com este ambiente de aventura e um frio gélido a cair sobre o vale, entregámo-nos nos braços de Morfeu...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

CARNAVAL 2012 - 2

Barragem da Valeira
Barragem do Peneireiro-Vila Flor
              Dia 19, domingo gordo. Por experiência acumulada em anos anteriores, este é um dia em que se deve evitar almoçar em restaurantes na zona. A não ser que se tenha paciência para estar em filas à espera de lugar, o que não é o meu caso. Levantámo-nos cedo como habitualmente, com um sol radioso. Partimos rumo a S. João da Pesqueira, depois de uma visita ao Intermarché de Meda que só abre às 10 horas. Com o tempo que tem feito, nestas zonas não convém ir para a estrada demasiado cedo, por causa do risco acrescido de haver gelo em algumas curvas e zonas mais sombrias. Chegados a S. João da Pesqueira, virámos para a direita, no sentido de Carrazeda de Ansiães. Logo que se sai da vila, ficamos rodeados de vinhedos de ambos os lados, pertença da Quinta de Cidrô. Um pouco mais à frente, as capelas do santuário de S. Salvador do Mundo, um dos miradouros privilegiados do Douro. Mesmo por baixo, bem lá no fundo, a barragem da Valeira. Do outro lado, em frente, uma imensa mole de rocha granítica a perder de vista, com o tom esbranquiçado de uma pequena aldeia empoleirada no alto de um gigantesco penhasco, Campelos. Uma estreita fita asfaltada trepa serpenteando a pique em sucessivos cotovelos, desde a barragem até ao cimo da montanha. O Douro estende-se, caudal diminuído depois da barragem, ladeado pela linha ferroviária, com o apeadeiro de Alegria mesmo no limite visual. Paisagem grandiosa que nos prende sempre por largos minutos, mesmo depois de anos a fio a contemplá-la. Começámos a descida, devagar, que este percurso não é para brincadeiras. Uma vez chegados ao paredão, ali estacionámos aproveitando para almoçar, no silêncio apenas interrompido pelo passar de alguns raros automóveis. Terminado este, iniciámos a longa e penosa subida que exige denodado esforço da autocaravana que felizmente é a única presença naquela estreita estrada, onde pouco mais cabe que um carro em certos trechos. Finalmente chegámos ao cimo da montanha e depois de alguns quilómetros em terrenos mais planos, chegámos a Linhares de Ansiães, pitoresca aldeia, onde parámos para um café. Trocados dois dedos de conversa com o proprietário, sobre o tempo, as culturas, a falta de chuva, esgrimiram-se argumentos sobre a construção da nova barragem na foz do Tua. Pouco depois, chegávamos a Parambos, onde tínhamos combinado uma visita a amigos ali residentes. A tarde avançava rapidamente e tivémos que partir de novo, a caminho do local de pernoita, Vila Flor. Ali chegados, deparámos com as eternas obras que mantêm Portugal num permanente estaleiro. A estrada de acesso ao parque que já conhecemos desde a sua abertura, interrompida sem qualquer sinalização alternativa. Depois de muitas perguntas, voltas, inversões de marcha, estreia das inevitáveis e imensas rotundas, lá chegámos finalmente ao parque de campismo da barragem do Peneireiro.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

CARNAVAL 2012 - 1

      Costumo dedicar sempre os dias de Carnaval ao espectáculo todos os anos renovado, das amendoeiras em flor. Este ano, apesar de saber antecipadamente que, devido ao intenso frio seco que se tem feito sentir, a floração está muito atrasada, resolvi não faltar à chamada e lá fui. O itinerário foi desenhado para cinco dias, a começar no sábado, dia 18 de Fevereiro e a acabar a 22.
Amendoeiras em flor 2011
Castelo de Longroiva
      Como habitualmente, a primeira paragem foi no Intermarché de Óbidos, para abastecimentos. Utilizámos a A-8 até à Marinha Grande, apanhando depois o IC-2, de Leiria até Coimbra. A partir daqui seguimos pela velhinha mas muito apreciada Nº 17, minha companheira de muitos anos, dos tempos em que o nosso país era pobre e os únicos quilómetros de autoestrada existentes eram de Lisboa a Condeixa-a-Nova e de Albergaria ao Porto. É uma estrada muito bonita, conhecida por "estrada da Beira", por ser uma das principais vias de penetração do litoral para o interior beirão, antes do advento das autoestradas. Os primeiros quilómetros têm quase sempre por companhia o rio Ceira, desde Coimbra até ao cruzamento para Foz de Arouce e Lousã. Muitas curvas, é um percurso para se fazer devagar, ideal para quem não tem pressas. Paragem no parque de merendas do Senhor das Almas, às portas de Oliveira do Hospital, para almoço.  Depois do obrigatório cafézinho no bar ali ao lado, prosseguimos até Celorico da Beira. A partir daqui já existe o IP-2 renovado, com excelente piso, duas faixas de rodagem em boa parte do percurso, mas optei pela estrada antiga, a Nº 102, onde posso parar quando e onde quero, onde há as minhas velhas conhecidas fontes, embora quase todas secas, pela falta de água, mas sobretudo pela incúria, onde existem povoações que atravesso sempre com interesse. Passámos Marialva, desta vez sem parar e logo de seguida virámos à esquerda para Longroiva. A estância termal aqui existente foi toda renovada há pouco tempo e reequipada com um novo balneário, ginásio e todos os modernos tratamentos de saúde e bem estar actualmente existentes. Longroiva tem um castelo de pequena dimensão, que fazia parte da linha defensiva do Côa, actualmente aproveitado para cemitério da aldeia. Daqui a Meda, a sede de concelho, são cinco quilómetros, que fazemos rapidamente para chegar ao parque de campismo antes das 17,30 H, hora de encerramento no Inverno. É um parque recente, muito acolhedor, dentro da cidade mas sossegado e não é caro. É um dos nossos eleitos, como base de apoio para as muitas surtidas ao Douro que fazemos durante o ano. Ali pernoitámos no primeiro dia.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CASA DE CANILHAS - 2


Viaduto da Pala à passagem do comboio
Vista de cima do cais de Porto Antigo
Os três "gémeos" no cais de Porto Antigo
  
  Passámos pelo portão de entrada, descemos a rampa de acesso e deparámos com uma bela casa solarenga, ostentando um brasão na fachada. Mas o nosso olhar foi de imediato atraído pelo soberbo espectáculo que tínhamos em frente: ao fundo das encostas cobertas de vinhedos, espreguiçava-se o Douro, languidamente, saboreando no seu percurso o calmo entardecer. Esta é para mim uma das mais belas paisagens que Portugal tem para oferecer a quem as sabe apreciar. Fomos recebidos com toda a simpatia pela proprietária, D. Maria, que nos mostrou os principais aposentos da casa, todos extremamente confortáveis e de que realço a sala de estar, decorada com requinte e bom gosto, onde crepitava um acolhedor lume na lareira. Mais uma vez, das enormes janelas e portadas, desenhava-se o belo quadro que a pródiga natureza do local punha diante dos nossos olhos. Fomos em seguida para o nosso quarto, acomodar-nos e aproveitar a fantástica vista antes do anoitecer. Arrefeceu rápida e intensamente e entretanto eram horas de jantar. Esta vida errante faz abrir o apetite! A nosso pedido, aconselharam-nos a tasca do Zéquinha, para acalmar as insistentes reclamações do estômago. E lá fomos, a caminho de Mesão Frio, que dista apenas dois ou três quilómetros. As ruas estavam desertas, percorridas apenas pelo frio cortante. No centro, descobrimos o que procurávamos, um estabelecimento sem pretensões. O dono, muito prestável, conduziu-nos ao primeiro andar, onde se encontrava já um casal a ocupar uma das quatro mesas disponíveis. Rapidamente apareceram umas azeitonas, pequenas em tamanho mas grandes no paladar, bem acompanhadas por um caneco de vinho tinto de divinal sabor e um pão caseiro a não destoar. Logo de seguida, duas belas pataniscas acabadas de cozinhar! Eu já não precisava de mais nada. Ainda assim, encomendámos uns lombinhos de vitela. E fizemos bem. Pouco depois, trouxeram-nos três medalhões de carne com batatas fritas às rodelas e umas pequenas couves tronchudas, acompanhadas por uma salada de tomate. A carne quase se desfazia ao contacto da faca. O sabor, indescritível... Até as batatas, as couves e a salada tinham um sabor incomparável! Também é nisto que Portugal dá cartas! Onde é que a comida tem este sabor? Rematámos com um leite creme, o elo mais fraco da refeição, secundado por um café. O preço não foi de tasca, mas demo-lo por bem empregue. Satisfeitos, regressámos à Casa de Canilhas, onde nos aconchegámos junto do belo fogo que ardia no acolhedor salão. Ainda folheámos uns livros sobre o Douro, claro, enquanto ocasionalmente o olhávamos lá em baixo, pelas vidraças das grandes portadas, brilhando sob o luar. Amodorrados pelo calor da lareira e pelo estômago extasiado, recolhemo-nos ao quarto, para uma noite de sono repousante.

Vista perto da estação de Pala
       No dia seguinte, o mesmo regalo para a vista. O sol ainda não aparecera, escondido lá para os lados da Régua, a nascente. A bruma pairava sobre os cumes dos montes vizinhos, escondendo também alguns trechos do rio. Quando começou a espreitar, houve uma explosão de cor e de mudanças sucessivas de tonalidade. Não há pintor que disponha de tal paleta de cores! Com alguma relutância, dirigimo-nos à sala do pequeno almoço, onde já nos esperava uma lauta refeição. Deliciosos pãezinhos, variadas compotas e doces caseiros, saborosos queijos regionais, leite, café, enfim, novo festim para o paladar! E como tudo tem um final, especialmente o que é bom, chegou a hora de partir. Partimos pela N108, por Barqueiros, Stª Marinha do Zêzere, Ancede. Esta estrada é para se percorrer muito devagar, apreciando as lindas paisagens e o Douro sempre presente. As vistas alargam-se a partir da estação ferroviária de Pala. Aí o rio agiganta-se, formando um enorme lago, pois a barragem de Carrapatelo já não fica longe. É uma zona de enorme beleza, com os viadutos ferroviários altíssimos e o cais de Porto Antigo ao longe. Atravessamos a bela ponte rodoviária e paramos no parque de estacionamento do hotel de Porto Antigo. Aí repousam no inverno os três navios de cruzeiro no Douro, Fernão de Magalhães, Infante D. Henrique e Vasco da Gama. São quase horas de almoço e apressamo-nos a continuar rumo a Cinfães, onde chegamos pouco depois. Logo à entrada, o restaurante "O Rabelo". Nem procuramos mais. Boa comida, melhor bebida, um anho assado no forno, excelente vinho tinto, sobremesa "buffet", mas má surpresa quando chegou a conta. E o café ao preço de Espanha: 0,95€ por um café em Cinfães... Atravessámos depois a serra de Montemuro pela Nº 321 até Castro Daire, estrada muito bonita, habitualmente cortada quando neva, e a N 2 até Viseu. Depois o IP-3 até Coimbra, com muitas obras nos viadutos da barragem da Aguieira, N1 até Leiria e A-8 até Casa.
      Excelente fim de semana sob todos os aspectos: o tempo, a gastronomia, e a qualidade do alojamento da Casa de Canilhas. Ansiamos já pela próxima escapadela... 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

CASA DE CANILHAS - 1

Casa de Canilhas
Vista da Casa de Canilhas
Casa de Canilhas
     Neste último fim de semana de Janeiro, decidi aproveitar os continuados dias de sol luminoso e céu azul e parti para Norte, rumo ao Douro. O destino previamente traçado, era a Casa de Canilhas, turismo rural às portas de Mesão Frio que estava "debaixo de olho" já há algum tempo à espera de vez. Partimos cedo, de modo a estarmos às 9 horas no Intermarché de Óbidos, local habitual de abastecimento de gasóleo, jornais e alguns produtos de última hora. Seguimos pela A-8 até Leiria, continuando depois pela Nº 1 até Albergaria-a-Velha. Depois da introdução de portagens nas antigas SCUT, optei por não as utilizar. Assim, continuei pela saudosa e velhinha Nº 16 e suas curvinhas, embora de grande beleza paisagística. Quando se tem muito tempo disponível, como é o caso, esta é a melhor opção, sob todos os aspectos: permite-nos saborear demoradamente as paisagens, parar em qualquer local que nos aprouver, andar muito mais devagar e calmamente. Esta estrada sinuosa, sempre ladeada pela antiga linha ferroviária do "Vouguinha", agora transformada em ecopista, tem também o rio Vouga como companhia até S. Pedro do Sul. Parámos um pouco antes do Poço de S. Tiago, local carismático com a sua bela ponte que, com o seu arco reflectido nas águas do rio forma um círculo perfeito e aí fizémos um piquenique. Mais reconfortados, prosseguimos por Oliveira de Frades, Vouzela e em S. Pedro do Sul, inflectimos para Norte, pela Nº 228 até Castro Daire, continuando pela Nº 2 até Lamego e Peso da Régua. É um regressar ao Portugal profundo, das pequenas aldeias de nomes pitorescos, das fontes a brotar com abundância, das tascas prontas a receber-nos com seus petiscos e saborosos acepipes. As portagens também têm as suas vantagens... Peso da Régua continua com as suas obras de há meses, que transformaram a zona da estação e marginal do Douro num estaleiro, obrigando-nos a percorrer a principal artéria comercial da cidade, o que nos permite ver as montras das lojas sem sair do carro... Passamos em seguida pelas Caldas de Moledo e mais uma das quintas da "Ferreirinha". Logo a seguir, um desvio à direita indica-nos Vila Marim. Sempre em busca de novos caminhos, tomámos essa estrada municipal, muito estreita, com grandes declives, mas de belas vistas para baixo, para o Douro vendo-se em frente do outro lado a aldeia de Penajoia. Já entardecia e depois de muitas voltas, muitas aldeolas, muitas subidas e descidas, finalmente mesmo às portas de Mesão Frio, deparámos com o nosso destino: a Casa de Canilhas.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

DEZEMBRO NA BEIRA BAIXA - 4

Idanha-a-Velha com Monsanto ao longe
Termas de Monfortinho
Ponte romana de Segura, que vigia por cima...
Placa afixada no pelourinho de Salvaterra
      E ao quarto dia o tempo mantinha-se com céu limpo e frio. Este dia estava destinado à zona da raia, na Beira Baixa profunda. Depois da rotina das partidas, paragem no Intermarché de Idanha para compra de pão, fruta e peixe. O peixe acabou por ficar pela intenção, pois aparentava ali estar já há uns dias à espera de comprador... Depois de novo abastecimento de gasóleo, parti com rumo a Alcafozes, aí virando para Norte pela Nº 332. Desta vez não parei em nenhum dos ex-libris da Beira Baixa: Idanha-a-Velha, Monsanto ou Penha Garcia, localidades que já visitei inúmeras vezes. No entanto, antes de chegar a Idanha-a-Velha, há um local com uma excelente panorâmica sobre esta aldeia, com Monsanto a espreitar ao longe. Parei, para absorver aquele silêncio e fotografar o local. Prossegui, atravessando a ponte sobre o rio Ponsul até Medelim. Chegado a esta aldeia, virei à direita para a Nº 239. A partir daqui começa a ver-se a montanha onde se incrusta Monsanto a aproximar-se à direita, vendo-se cada vez mais distintamente a povoação coroada pelo seu castelo. Passei ao largo e pouco depois, desta vez ao lado esquerdo, outra montanha, a de Penha Garcia. Continuei devagar, atravessando a planície, com cada vez mais raros vestígios de povoamento. O trânsito era também muito escasso. Por fim, uma povoação: Monfortinho, com mais que um aviso a indicar que as Termas não eram ali, mas uns 3 Km mais à frente... Embora sem necessitar da indicação, segui o conselho e pouco depois entrava nas Termas de Monfortinho. Esta localidade causa-me sempre alguma surpresa desde a primeira vez que a visitei, há mais de 30 anos. Longe de tudo, a mais de 50 Km da sede de concelho, Idanha-a-Nova, numa das zonas de mais baixa densidade populacional do país, separada de Espanha pelo rio Erges, estava completamente isolada até há alguns anos, quando se abriu uma nova fronteira com o país vizinho. Apesar desse novo acesso, a sensação de isolamento e desterro mantém-se. No entanto a localidade tem muitos restaurantes, pensões, cafés, dois grandes hotéis e alguns serviços públicos. O motor económico são as termas, claro, afamadas e bastante frequentadas, mas ainda assim insuficientes para garantir a viabilidade económica de toda esta oferta turística, como se pode comprovar por alguns edifícios em ruínas e outros ao abandono. Parei junto às termas e, passando pelo marco fronteiriço que se situa mesmo em frente, fui até ao rio Erges, que nos separa de Espanha. Aqui almocei, na autocaravana. Depois do café, tomado num dos inúmeros estabelecimentos  da especialidade, pus-me de novo ao caminho, atravessando a fronteira.

        O plano era voltar a entrar em Portugal mais abaixo, por uma fronteira que nunca utilizei, a de Salvaterra do Extremo. Cheguei a Zarza la Mayor, pequena localidade adormecida na Extremadura espanhola e encontrei uma placa a indicar que a estrada pretendida estava encerrada para obras. Assim, tive que continuar até Piedras Albas pela Ex-117 e aí virar à direita para Portugal pela Ex-207, até Segura. Esta que já foi uma das principais fronteiras portuguesas, das poucas que se mantinham abertas todo o ano, está agora deserta. Ali passa um veículo de longe em longe, a sacudir a monotonia. Atravessei a ponte romana sobre o Erges e parei do lado português. Há ali uns sanitários públicos, muito limpos, curiosamente o primeiro  edifício português para quem por ali entra! Ao longe, vigia a povoação de Segura. Estas localidades fronteiriças, viviam do movimento trans-fronteiriço, dos serviços aduaneiros, da guarda fiscal, antes da abertura do espaço Schengen na Europa. Agora, Segura é mais uma localidade de velhos ao sol, silenciosa, despertando a cada carro que passa. Logo após, aparece um cruzamento à direita, para Salvaterra do Extremo. Estrada muito estreita, mau piso, mas arrisquei. Esta é uma das poucas localidades desta província que ainda não tinha visitado. Não me cruzei com qualquer viatura até lá chegar. Outra aldeia em silêncio, alguns idosos sentados em bancos a gozar o sol já em declínio, gatos, muitos gatos, talvez mais que pessoas e, surpresa, algumas crianças! De qualquer forma, para o isolamento em que está esta povoação, as enormes distâncias a percorrer para aceder a qualquer serviço, a sua dimensão é bastante razoável. Por ali circulei a pé, claro, que nas ruelas mal cabe um carro. Gosto sempre de percorrer algumas ruas, ver o género de habitações, cumprimentar as pessoas, que em alguns casos me olham com desconfiança. Feito o reconhecimento, voltei, por Zebreira, outra localidade com alguma dimensão, com uma escola primária linda, dos primeiros tempos do Estado Novo, que atravessei sem parar, continuando pela Nº 240, virando depois à direita para a Nº 353, até ao parque e barragem, onde cheguei antes do anoitecer. O parque estava quase deserto e escuro, nesta época do ano, durante a semana são raros os excêntricos como eu...  Preparar o jantar, telejornal, leituras e...cama.

        O dia seguinte foi destinado ao regresso. Ainda dei um passeio pelas margens da barragem, de despedida daquele silêncio só quebrado pelo canto da passarada e os chocalhos das vacas. O caminho de volta, fez-se pela mesma estrada, até Castelo Branco, onde entrei na A-23, até ao nó do IC-8, por onde entrei, para não voltar pelo mesmo percurso. Assim, só parei em Pedrógão Grande para almoçar junto à barragem do Cabril e continuei depois até Pombal, onde entrei na Nº1 (IC-2), até Leiria e A-8 até Peniche. Foram cinco dias bem aproveitados, sempre com sol, embora muito frios. Claro que a curta duração dos dias não permite grandes passeios, tendo muitas horas nocturnas para serem aproveitadas de outras formas...