Chegara o dia do regresso. Estava indeciso sobre fazer todo o percurso num só dia, ou reparti-lo em dois. Se optasse por servir-me de auto-estradas é claro que se faria cómoda e rapidamente. Saí por Covide, Rio Caldo, subi pela pousada de S. Bento até à N 103 e virei logo a seguir para Vieira do Minho. Parei a seguir junto da barragem de Guilhofrei, que tem uma boa área de lazer. Dentro de Fafe, a sinalização à portuguesa manifestou-se, desaparecendo a antiga e vendo-se apenas a nova, que nos empurra para as auto-estradas e as portagens. Como o dia ia quase a meio e ainda estava no Minho, decidi entrar na A-7 até Famalicão e depois A-3 até ao Porto. Aí, atravessei o Douro pela ponte da Arrábida e depois, nos Carvalhos, fui apanhar o IC-2 (eu continuo a chamar-lhe N- 1), que já não larguei até Leiria, como é meu hábito.
Foram uns dias óptimos, em que tudo correu bem, mesmo nos dias em que o clima esteve menos colaborante, mas eu consigo extrair sempre o que há de bom. Gosto do sol, da temperatura amena, do céu azul, mas também gosto de chuva, de vento, de frio. Matei as saudades que tinha desta zona do Alto Minho, onde já não ia há mais de um ano. Mas também é agradável regressar, para junto da família, dos gatos, do meu mundo. E preparar já a próxima saída...
sexta-feira, 12 de julho de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
PRIMAVERA NO GERÊS - 6
Domingo era o dia que tinha destinado para ir até Vilarinho das Furnas. Saí cedo, levei a autocaravana até à barragem, onde a deixei encostada ao paredão. Mochila às costas, máquina fotográfica a tiracolo e cajado na mão, lá parti. O caminho de acesso à antiga aldeia começa na barragem, onde existe uma cancela fechada, cuja chave possuem alguns antigos habitantes que têm colmeias e outras pequenas explorações junto da aldeia. O caminho é sempre junto à margem da albufeira, numa paisagem muito bonita e silenciosa.
Passado talvez um quilómetro começa a ouvir-se o sussurrar longínquo de água a correr, ruído que se vai avolumando à medida que progrido no terreno. Já sabia da existência de uma bela queda de água, pois sou um velho visitante destas paragens, mas para se ouvir àquela distância tinha que estar bem nutrida! De facto, quando fiz a última curva antes de lá chegar, deparou-se-me uma visão espectacular, com a cascata enorme, com uma força que é raro presenciar. Como estamos no princípio do Verão e o Inverno foi muito chuvoso, aí está o belo resultado!
Pouco depois comecei a ouvir vozes. Ia um grupo um pouco à minha frente, com a aparência de reformados em dia de passeio. Passei para a frente e continuei. A paisagem e o ambiente envolvente são arrebatadores. Só se ouvem as aves, os regatos muito frequentes e um ou outro peixe que salta na água.
Habitualmente, há um carreiro que passa junto à água e vai até à aldeia, mas agora como a barragem estava quase na cota máxima, o carreiro estava interrompido pela água. Tive que subir por umas grandes rochas, com algum perigo, pois tem que se trepar com a ajuda de pés e mãos o que se complica se houver bagagem. Por fim lá passei para o outro lado. Há ainda pequenos soutos, carvalhais e bosques de outras espécies, restos da existência de explorações agrícolas. Começo a ver muros de pedra solta, que delimitavam propriedades.
Mais umas escaladas por outros rochedos e finalmente estou no local onde ficava a parte alta da aldeia.
Comecei a interessar-me por esta aldeia ao ler a obra de Jorge Dias, grande etnólogo, que obteve o primeiro doutoramento em etnologia em Portugal, aos 60 anos, com o trabalho sobre Vilarinho da Furna, nome correcto da aldeia e para o qual viveu algum tempo no meio dos camponeses, participando nos seus trabalhos, nas suas festas, no seu ambiente comunitário de que esta aldeia foi o expoente máximo em Portugal. Junto com Rio de Onor, perto de Bragança, foram as duas aldeias mais representativas da vida comunitária, apenas permitida pelo completo isolamento e necessidade de sobrevivência só garantida pela partilha de trabalhos, tarefas, justiça e posse da maioria dos bens da aldeia. Por isso me sinto bem ali, furando as silvas e o mato que agora cobre o que outrora eram lameiros e quintais que alimentavam famílias, saltando por cima das pedras e das ruínas onde existiram casas que abrigavam pessoas que ali viveram, amaram, morreram e onde pastavam vacas, cabras e ovelhas, debicavam galinhas e patos, onde chafurdavam porcos procurando bolotas caídas de carvalhos. Tudo desapareceu em 1973, submerso nas águas de uma barragem que é apenas reservatório de água para engrossar o fluxo da Caniçada, lá bem mais abaixo.
Sentei-me no meio de um ribeiro de águas límpidas que saltitam no meio das pedras redondas e pus-me a devorar o meu lanche.
Ouvi então o ruído de um animal, fui espreitar e vi um cavalo a olhar para mim, surpreendido. Estava em muito mau estado, aparentando estar doente e deve ter sido deixado ali por algum dos antigos habitantes. Pasto e água não lhe faltavam...
Ainda descobri um antigo moinho comunitário, depois de atravessar moitas de silvas e mato cerrado.
A aldeia propriamente dita, está toda submersa. Só em anos muito secos, no final do Verão, aparecem algumas das antigas casas, em ruínas e consegue-se andar no meio dos antigos caminhos estreitos, enlameados, vendo-se ainda a ponte sobre o ribeiro. Liberta-se então uma enorme nostalgia que tudo envolve e enche de melancolia e tristeza os espíritos dos amantes da ancestralidade da terra portuguesa, da simplicidade das coisas, de todo um modo de viver, duro mas feliz, que, simbolicamente, aqui jaz sepultado sob as águas. Imagine-se o que sentem então os que ainda aqui nasceram e viveram...
Com este sentimento que sempre me invade quando aqui venho, iniciei o caminho de regresso. Novas acrobacias sobre as rochas. Desta vez cruzei-me com mais grupos, lembrando-me que era domingo. O tempo entretanto aquecera. Cheguei à cascata, para mais umas fotos e deliciar-me com aquela visão.
Pouco depois cheguei à barragem. Ainda uma surpresa. O local estava completamente cheio de motos e gente devidamente "fardada" a preceito. Eram centenas, por todo o lado, muitos dos quais tinham até descido à base do paredão ao local onde sai um jacto de água.
Como eram horas de almoço, já suspeitava onde iria toda aquela gente almoçar, num local com relativamente poucas opções. A autocaravana nem se via, rodeada de motos por todo o lado. Tinha mesmo que esperar que toda aquela confusão dispersasse, o que ainda demorou uma meia hora. Por fim, arranquei também e quando cheguei à Cerdeira, é claro que estava transformada num parque motard... Mas só o restaurante estava ocupado e acabei por ter o almejado sossego garantido pela grande extensão do parque de campismo. E por ali fiquei durante a tarde, gozando a óptima temperatura, o sol filtrado pelo arvoredo, vendo a tarde declinar naquele "dolce fare nienti"...
| Barragem de Vilarinho das Furnas |
Habitualmente, há um carreiro que passa junto à água e vai até à aldeia, mas agora como a barragem estava quase na cota máxima, o carreiro estava interrompido pela água. Tive que subir por umas grandes rochas, com algum perigo, pois tem que se trepar com a ajuda de pés e mãos o que se complica se houver bagagem. Por fim lá passei para o outro lado. Há ainda pequenos soutos, carvalhais e bosques de outras espécies, restos da existência de explorações agrícolas. Começo a ver muros de pedra solta, que delimitavam propriedades.
| Praia em Vilarinho das Furnas... |
Mais umas escaladas por outros rochedos e finalmente estou no local onde ficava a parte alta da aldeia.
| Perscrutando as águas adivinhando a aldeia submersa... |
| Antigo lameiro |
Sentei-me no meio de um ribeiro de águas límpidas que saltitam no meio das pedras redondas e pus-me a devorar o meu lanche.
| Momento do repasto |
Ouvi então o ruído de um animal, fui espreitar e vi um cavalo a olhar para mim, surpreendido. Estava em muito mau estado, aparentando estar doente e deve ter sido deixado ali por algum dos antigos habitantes. Pasto e água não lhe faltavam...
| Habitante inesperado em Vilarinho da Furna |
Ainda descobri um antigo moinho comunitário, depois de atravessar moitas de silvas e mato cerrado.
| Antigo moinho de água |
A aldeia propriamente dita, está toda submersa. Só em anos muito secos, no final do Verão, aparecem algumas das antigas casas, em ruínas e consegue-se andar no meio dos antigos caminhos estreitos, enlameados, vendo-se ainda a ponte sobre o ribeiro. Liberta-se então uma enorme nostalgia que tudo envolve e enche de melancolia e tristeza os espíritos dos amantes da ancestralidade da terra portuguesa, da simplicidade das coisas, de todo um modo de viver, duro mas feliz, que, simbolicamente, aqui jaz sepultado sob as águas. Imagine-se o que sentem então os que ainda aqui nasceram e viveram...
| Local onde está submersa a aldeia |
Com este sentimento que sempre me invade quando aqui venho, iniciei o caminho de regresso. Novas acrobacias sobre as rochas. Desta vez cruzei-me com mais grupos, lembrando-me que era domingo. O tempo entretanto aquecera. Cheguei à cascata, para mais umas fotos e deliciar-me com aquela visão.
Pouco depois cheguei à barragem. Ainda uma surpresa. O local estava completamente cheio de motos e gente devidamente "fardada" a preceito. Eram centenas, por todo o lado, muitos dos quais tinham até descido à base do paredão ao local onde sai um jacto de água.
Como eram horas de almoço, já suspeitava onde iria toda aquela gente almoçar, num local com relativamente poucas opções. A autocaravana nem se via, rodeada de motos por todo o lado. Tinha mesmo que esperar que toda aquela confusão dispersasse, o que ainda demorou uma meia hora. Por fim, arranquei também e quando cheguei à Cerdeira, é claro que estava transformada num parque motard... Mas só o restaurante estava ocupado e acabei por ter o almejado sossego garantido pela grande extensão do parque de campismo. E por ali fiquei durante a tarde, gozando a óptima temperatura, o sol filtrado pelo arvoredo, vendo a tarde declinar naquele "dolce fare nienti"...
terça-feira, 9 de julho de 2013
PRIMAVERA NO GERÊS - 5
Este dia estava reservado para um passeio ao topo de Portugal. Saí cedo, por Terras de Bouro percorrendo estreitas e sinuosas estradas municipais até Vila Verde. Aqui fiz uma breve paragem para ir ao supermercado. Apanhei a N 101, uma estrada muito bonita que rasga o coração do alto Minho, atravessando vetustas povoações e subindo e descendo serras, sempre no meio do omnipresente verde. Mesmo à chegada a Ponte da Barca, na recta que lhe dá acesso, um Skoda escondido atrás de uma moita de silvas, apenas com um radar a espreitar por cima das ditas, zelava pela segurança dos automobilistas incautos e prevenindo o excesso de peso nas suas carteiras... Fico sempre comovido com estas acções de benemerência da GNR e tanto cuidado com a segurança das populações...
Nesta estrada ainda se conseguem encontrar muitas fontes onde brota água pura e em abundância. Apesar de alguns riscos de contaminação que actualmente existem, não resisto a fazer o mesmo que sempre fiz: parar, beber, sentir o prazer inigualável do sabor da água pura, fresca, inteira, que me deixa plenamente satisfeito, pelo menos até à fonte seguinte... Logo a seguir, Arcos de Valdevez. Gosto muito desta vila, bem representativa da riqueza arquitectónica, paisagística, etnográfica e antropológica do Alto Minho. Fiz o desvio para o centro. Percorri a avenida principal, à beira do rio. Os parques de estacionamento estavam repletos de uma ponta à outra da vila. Assim, dei meia volta à rotunda e voltei à estrada. O dia estava maravilhoso, com sol e uma temperatura ideal para passear. Um pouco antes de chegar a Monção, aparece à esquerda o palácio da Brejoeira, ícone do famoso vinho Alvarinho. Obrigatório parar para apreciar a beleza arquitectónica do palácio e dos seus jardins.
Contorno Monção por fora e prossigo agora junto ao rio Minho, pela N 202, até Melgaço. Recordo que só entro nas vilas e cidades quando me apetece "beber" um pouco do seu ambiente, ou quando preciso de me abastecer. Já as visitei todas muitas vezes e portanto dou prioridade às paisagens e aos locais menos frequentados. Mas tanto Monção como Melgaço merecem uma visita, aos seus centros históricos muito interessantes e aos seus castelos. Virei à direita, começando a subir as faldas da serra da Peneda. A paisagem começa a tornar-se mais agreste à medida que subimos. Passo Cubalhão e pouco depois chego ao cruzamento de Lamas de Mouro, uma das principais portas para o parque nacional. Este local é paradisíaco. Tem um enorme parque de merendas debaixo de um verdadeiro bosque e onde correm diversos regatos de água pura. O parque de campismo de Lamas de Mouro fica mesmo ao lado. Nestes dias há um sossego absoluto, pois não se encontra ali ninguém. Para a direita, segue uma estrada que dá acesso a diversas "brandas" e "inverneiras", tipo de povoamento característico das serras de Soajo e Peneda. As brandas são os aglomerados onde as populações passam a maior parte do ano, com os seus gados e pastos; as inverneiras ficam nos vales e é onde se recolhem no Outono para passar os Invernos, que aqui são bem rigorosos.
Eram horas de almoço e aqui chegado, detectei um cheirinho no ar que me atraía a um local já meu conhecido: o restaurante Vidoeiro, ali mesmo ao lado. Trata-se de um estabelecimento sem pretensões, mas com uma comida com um sabor autêntico, as carnes que levam apenas uma pitada de sal e sabem divinalmente, bem como todos os vegetais que habitualmente as acompanham. Apareceu-me uma enorme travessa cheia de um churrasco de variadas carnes. O vinho, fazia jus à comida. No final, a travessa ficou vazia e o estômago cheio. Tudo aquilo por 7€! Mais pesado, retomei a estrada por baixo do bosque, a caminho do santuário da Srª da Peneda.
A estrada está agora muito degradada, com grandes pedaços destruídos, com buracos enormes e sem alcatrão.
O santuário passa por grandes obras de recuperação dos albergues de peregrinos e edifícios adjacentes. Desci até à enorme cascata que cai ao lado da igreja, nesta altura com imensa água.
Havia pouca gente, uma das vantagens de sair durante a semana. Há ali um bom hotel, com a curiosidade de as águas da cascata lhe passarem por baixo através de um túnel.
Feita a visita, regressei pelo mesmo caminho até à porta de Lamas de Mouro e depois virei à direita para Castro Laboreiro. Esta é uma das mais típicas povoações portuguesas. Vila erigida em altitude, tem invernos muito rigorosos. É hoje muito procurada pelos turistas que vêm em busca da sua afamada gastronomia serrana, dos seus costumes, do artesanato e dos cães de raça autóctone, o Castro Laboreiro.
Há aqui um excelente hotel, o "Castrum Villae", bem como uma albergaria e uma estalagem, e ainda várias casas de turismo rural. Não falta onde pernoitar. Os espanhóis invadem esta vila aos fins de semana. Neste dia apenas se avistava um casal estrangeiro. Os residentes viam-se pouco, uns a trabalhar nos campos, outros em casa. Andei pela vila, atravessei umas pontes e uns rochedos e depois voltei à estrada, a caminho de Espanha.
Esta estradinha que liga Castro Laboreiro à fronteira de Ameijoeira, é de uma beleza selvagem. Logo à saída divisamos à direita uma colina rochosa em cuja coroa está edificado o castelo de Castro Laboreiro. No entanto este só se consegue ver depois de aturado esforço, ou com o auxílio de binóculos, de tal forma se integra e se confunde com as rochas. É de muito difícil acesso, a partir do centro da vila, ao cabo de muito se trepar por um carreiro íngreme e de pedras soltas. Teve papel preponderante na Reconquista cristã da península, pertenceu aos muçulmanos, foi conquistado por D. Afonso Henriques, foi atacado no reinado de D. Afonso III e de D. João I...
O curto percurso até à fronteira é composto por montanhas rochosas, onde ao longe se divisam pequenos lugarejos cravados no dorso dos montes, agora habitados por 2 ou 3 pessoas. Chego a Ameijoeira, mais uma delas onde não se vê vivalma e entro em território espanhol, igual ao português. Também aqui as escassas povoações estão desertas, ou vêem-se apenas velhos, muito velhos, em cadeiras de rodas ou arrastarem-se penosamente. Passo Entrimo, viro à direita e pouco depois avisto as águas da albufeira do Alto Lindoso, cujo lago fica em grande parte em território espanhol.
Reentro em Portugal pelo Lindoso, linda aldeia onde se destacam o seu lindo castelo e o maior conjunto de espigueiros do país.
Fui fazer nova visita ao castelo, de onde se avista uma paisagem soberba sobre as águas da albufeira.
O castelo tem um pequeno museu no seu interior, mas o que chama mais a atenção é a vista que dele se obtém, quer para a barragem, quer para o conjunto de espigueiros mesmo ali ao lado.
Acabada a visita ao castelo, embrenhei-me no meio dos espigueiros. Alguns ainda cumprem a sua original função, pois estão cheios de espigas de milho.
A tarde avançava e eram horas de partir. Prossegui até Entre-Ambos-os-Rios, localidade com um nome curioso pelo facto de aqui se juntar o rio Tamente ao rio Lima. Logo a seguir aparece a barragem de Touvedo, que forma um belo lago com um parque de campismo mesmo em cima.
Pouco depois chegava a Ponte da Barca. O restante percurso de regresso foi igual ao da manhã, até Vila Verde, Terras de Bouro, Covide, Cerdeira. Estava cumprida mais uma jornada.
| Fonte a jorrar pureza há 133 anos, perto de Arcos de Valdevez |
Nesta estrada ainda se conseguem encontrar muitas fontes onde brota água pura e em abundância. Apesar de alguns riscos de contaminação que actualmente existem, não resisto a fazer o mesmo que sempre fiz: parar, beber, sentir o prazer inigualável do sabor da água pura, fresca, inteira, que me deixa plenamente satisfeito, pelo menos até à fonte seguinte... Logo a seguir, Arcos de Valdevez. Gosto muito desta vila, bem representativa da riqueza arquitectónica, paisagística, etnográfica e antropológica do Alto Minho. Fiz o desvio para o centro. Percorri a avenida principal, à beira do rio. Os parques de estacionamento estavam repletos de uma ponta à outra da vila. Assim, dei meia volta à rotunda e voltei à estrada. O dia estava maravilhoso, com sol e uma temperatura ideal para passear. Um pouco antes de chegar a Monção, aparece à esquerda o palácio da Brejoeira, ícone do famoso vinho Alvarinho. Obrigatório parar para apreciar a beleza arquitectónica do palácio e dos seus jardins.
| Palácio da Brejoeira - Monção |
Eram horas de almoço e aqui chegado, detectei um cheirinho no ar que me atraía a um local já meu conhecido: o restaurante Vidoeiro, ali mesmo ao lado. Trata-se de um estabelecimento sem pretensões, mas com uma comida com um sabor autêntico, as carnes que levam apenas uma pitada de sal e sabem divinalmente, bem como todos os vegetais que habitualmente as acompanham. Apareceu-me uma enorme travessa cheia de um churrasco de variadas carnes. O vinho, fazia jus à comida. No final, a travessa ficou vazia e o estômago cheio. Tudo aquilo por 7€! Mais pesado, retomei a estrada por baixo do bosque, a caminho do santuário da Srª da Peneda.
| Senhora da Peneda |
A estrada está agora muito degradada, com grandes pedaços destruídos, com buracos enormes e sem alcatrão.
O santuário passa por grandes obras de recuperação dos albergues de peregrinos e edifícios adjacentes. Desci até à enorme cascata que cai ao lado da igreja, nesta altura com imensa água.
Havia pouca gente, uma das vantagens de sair durante a semana. Há ali um bom hotel, com a curiosidade de as águas da cascata lhe passarem por baixo através de um túnel.
Feita a visita, regressei pelo mesmo caminho até à porta de Lamas de Mouro e depois virei à direita para Castro Laboreiro. Esta é uma das mais típicas povoações portuguesas. Vila erigida em altitude, tem invernos muito rigorosos. É hoje muito procurada pelos turistas que vêm em busca da sua afamada gastronomia serrana, dos seus costumes, do artesanato e dos cães de raça autóctone, o Castro Laboreiro.
Há aqui um excelente hotel, o "Castrum Villae", bem como uma albergaria e uma estalagem, e ainda várias casas de turismo rural. Não falta onde pernoitar. Os espanhóis invadem esta vila aos fins de semana. Neste dia apenas se avistava um casal estrangeiro. Os residentes viam-se pouco, uns a trabalhar nos campos, outros em casa. Andei pela vila, atravessei umas pontes e uns rochedos e depois voltei à estrada, a caminho de Espanha.
| Ponte sobre o rio Castro Laboreiro |
Esta estradinha que liga Castro Laboreiro à fronteira de Ameijoeira, é de uma beleza selvagem. Logo à saída divisamos à direita uma colina rochosa em cuja coroa está edificado o castelo de Castro Laboreiro. No entanto este só se consegue ver depois de aturado esforço, ou com o auxílio de binóculos, de tal forma se integra e se confunde com as rochas. É de muito difícil acesso, a partir do centro da vila, ao cabo de muito se trepar por um carreiro íngreme e de pedras soltas. Teve papel preponderante na Reconquista cristã da península, pertenceu aos muçulmanos, foi conquistado por D. Afonso Henriques, foi atacado no reinado de D. Afonso III e de D. João I...
| Castelo de Castro Laboreiro, confundindo-se com a rocha na coroa da montanha |
| Barragen do Alto Lindoso, perto de Aceredo - Espanha |
| Castelo de Lindoso |
Fui fazer nova visita ao castelo, de onde se avista uma paisagem soberba sobre as águas da albufeira.
| Vista do cimo da castelo de Lindoso |
| Maqueta do castelo de Lindoso, no seu interior |
O castelo tem um pequeno museu no seu interior, mas o que chama mais a atenção é a vista que dele se obtém, quer para a barragem, quer para o conjunto de espigueiros mesmo ali ao lado.
| Espigueiros - Lindoso |
Acabada a visita ao castelo, embrenhei-me no meio dos espigueiros. Alguns ainda cumprem a sua original função, pois estão cheios de espigas de milho.
A tarde avançava e eram horas de partir. Prossegui até Entre-Ambos-os-Rios, localidade com um nome curioso pelo facto de aqui se juntar o rio Tamente ao rio Lima. Logo a seguir aparece a barragem de Touvedo, que forma um belo lago com um parque de campismo mesmo em cima.
| Barragem de Touvedo |
Pouco depois chegava a Ponte da Barca. O restante percurso de regresso foi igual ao da manhã, até Vila Verde, Terras de Bouro, Covide, Cerdeira. Estava cumprida mais uma jornada.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
PRIMAVERA NO GERÊS - 4
O parque de campismo de Cerdeira é um dos melhores do país. Para quem gosta de campismo desportivo, de tranquilidade, de proximidade com a Natureza, de ar puro, ou da mistura de um pouco de tudo isto, este é o parque ideal. Quando eu comecei a explorar estes sítios, há algumas décadas, não havia parques de campismo e era proibido acampar no Parque Nacional. Havia um local apenas, junto da barragem de Vilarinho das Furnas, onde era permitido montar tendas. Recordo-me com saudade dos banhos tomados naquelas águas, que eram os únicos possíveis então. Depois abriu o parque do Vidoeiro, junto às termas, mas que nunca me agradou, pela exiguidade do espaço, pela extrema dificuldade de manobrar um carro lá dentro ou de montar uma simples tenda num autêntico exercício de equilibrismo. Uns anos mais tarde abriu então o parque da Cerdeira, e esse sim, logo de início mostrou estar à altura da região onde está implantado. Está totalmente coberto por um frondoso arvoredo, é muito grande, tem 3 bons blocos sanitários, piscina, área de desportos radicais, minimercado, um bom restaurante, vários bungalows e apartamentos, cobertura wifi de internet, enfim, consegue aliar a fruição plena da natureza com o conforto de certas modernidades e mordomias.
Este dia era dedicado à geira romana. Como a manhã estava ainda muito cinzenta e de vez em quando caía uma chuvinha miúda, decidi ficar por ali a vaguear pelo parque e esperar pela tarde. Almocei e de facto, depois do almoço, o tempo melhorou. Carreguei a mochila e a máquina fotográfica e pus-me a caminho. Do parque à margem da barragem é um pulinho.
Virando à direita, para o estradão de terra batida, vai-se dar, uns bons quilómetros depois, à estrada que vem da Portela do Homem, para o Gerês, na mata de Albergaria. Eu não pretendia chegar tão longe. O tempo melhorara bastante e foi necessário despir o impermeável. Pouco depois, um marco ferrugento anunciando um acesso à geira, através de uma tosca escada, convidava a descer até às águas. Aceitei o convite, mas abdicando do apoio mais que duvidoso do improvisado corrimão de madeira que já conheceu melhores dias.
Depois de apreciado um pouco daquele silêncio e da beleza do local, voltei a subir até à estrada de terra. De longe em longe passava um carro, que, naquele silêncio absoluto se fazia anunciar com muita antecedência.
A água era omnipresente. O cantar de regatos a correr, ou de cascatas a cair das alturas acompanhava-me em todo o percurso.
O ano bastante chuvoso contribuiu generosamente para toda esta abundância de água, característica aliás de todo o parque nacional da Penêda-Gerês.
Esta antiga estrada romana que ligava as cidades de Bracara Augusta a Asturica Augusta, estava marcada em milhas, agora recriada em marcos feitos de materiais que os romanos não conheciam...
Depois de percorridos alguns quilómetros naquele paraíso, cheguei ao meu objectivo: o conjunto de marcos miliários deixados pelos romanos. Estes marcos eram colocados entre cada 1480 m em todas as estradas do império. Nesta via, conhecida como Via XX, ou "per loca marítima", ainda é possível ver bastantes.
Neste local, além dos marcos em posição vertical, é também possível encontrar nas imediações, as rochas graníticas com as marcas testemunhas do método utilizado para cortar os blocos que depois eram aparelhados tendo em vista obter estes marcos de cerca de 2 toneladas. Eles cravavam cunhas de madeira, que pouco a pouco obrigavam a penetrar a rocha até esta se partir.
São estes contactos íntimos com a história, com a geografia, a etnografia, a antropologia, mas também com a botânica, a zoologia ou a biologia, que enriquecem sempre as minhas deambulações por onde quer que ande. Para passar os dias em esplanadas ou cafés, não preciso ausentar-me de casa...
Atingido o objectivo do dia ( sim, estes são agora os meus objectivos...), não avancei mais. Para a frente encontraria os viveiros de trutas e depois de uma grande subida, a estrada alcatroada que vem da Portela do Homem. Mas, como disse, voltei para trás. Estava calor, agora. Mas debaixo daqueles túneis de verdura o calor suportava-se bem.
No regresso as subidas parecem sempre mais íngremes... Por fim, lá cheguei ao parque, um pouco cansado, mas deliciado com o dia. Ainda era meia tarde, com tempo suficiente para um banho, um lanche reforçado, e as actualizações permitidas pelo Wifi, na paz permitida pela época baixa e pela benignidade do clima. Mais um dia passado.
Este dia era dedicado à geira romana. Como a manhã estava ainda muito cinzenta e de vez em quando caía uma chuvinha miúda, decidi ficar por ali a vaguear pelo parque e esperar pela tarde. Almocei e de facto, depois do almoço, o tempo melhorou. Carreguei a mochila e a máquina fotográfica e pus-me a caminho. Do parque à margem da barragem é um pulinho.
| Barragem de Vilarinho das Furnas |
Depois de apreciado um pouco daquele silêncio e da beleza do local, voltei a subir até à estrada de terra. De longe em longe passava um carro, que, naquele silêncio absoluto se fazia anunciar com muita antecedência.
A água era omnipresente. O cantar de regatos a correr, ou de cascatas a cair das alturas acompanhava-me em todo o percurso.
O ano bastante chuvoso contribuiu generosamente para toda esta abundância de água, característica aliás de todo o parque nacional da Penêda-Gerês.
Esta antiga estrada romana que ligava as cidades de Bracara Augusta a Asturica Augusta, estava marcada em milhas, agora recriada em marcos feitos de materiais que os romanos não conheciam...
| Marco que assinala a 31ª milha |
Depois de percorridos alguns quilómetros naquele paraíso, cheguei ao meu objectivo: o conjunto de marcos miliários deixados pelos romanos. Estes marcos eram colocados entre cada 1480 m em todas as estradas do império. Nesta via, conhecida como Via XX, ou "per loca marítima", ainda é possível ver bastantes.
Neste local, além dos marcos em posição vertical, é também possível encontrar nas imediações, as rochas graníticas com as marcas testemunhas do método utilizado para cortar os blocos que depois eram aparelhados tendo em vista obter estes marcos de cerca de 2 toneladas. Eles cravavam cunhas de madeira, que pouco a pouco obrigavam a penetrar a rocha até esta se partir.
| Marcas das cunhas na rocha |
São estes contactos íntimos com a história, com a geografia, a etnografia, a antropologia, mas também com a botânica, a zoologia ou a biologia, que enriquecem sempre as minhas deambulações por onde quer que ande. Para passar os dias em esplanadas ou cafés, não preciso ausentar-me de casa...
Atingido o objectivo do dia ( sim, estes são agora os meus objectivos...), não avancei mais. Para a frente encontraria os viveiros de trutas e depois de uma grande subida, a estrada alcatroada que vem da Portela do Homem. Mas, como disse, voltei para trás. Estava calor, agora. Mas debaixo daqueles túneis de verdura o calor suportava-se bem.
No regresso as subidas parecem sempre mais íngremes... Por fim, lá cheguei ao parque, um pouco cansado, mas deliciado com o dia. Ainda era meia tarde, com tempo suficiente para um banho, um lanche reforçado, e as actualizações permitidas pelo Wifi, na paz permitida pela época baixa e pela benignidade do clima. Mais um dia passado.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
PRIMAVERA NO GERÊS - 3
O dia amanheceu "farrusco". Tomado o banho e o pequeno almoço, parti para a cidade, para umas compras. Entretanto, já caía uma chuva miudinha que tudo cobria sob o seu manto. Feitas as compras, segui na N 103, uma das mais bonitas estradas portuguesas. Pouco depois, Curalha, onde existe uma antiga estação da linha do Tâmega, recuperada, agora pertencente a um particular. Passo Sapiãos, onde há um cruzamento para Boticas, mas começo a subir para Montalegre. No entanto, opto por não visitar a vila desta vez e continuo junto às águas da albufeira de Pisões, ou Alto Rabagão. Este era o maior lago artificial da Europa, antes da construção de Alqueva. A chuva agora era mais intensa, juntando-se-lhe um nevoeiro cerrado. Em Penedones, virei à esquerda para o parque de campismo, onde também existe um acesso ao lago. O parque está aberto todo o ano, mas nesta altura estava vazio. Fui até à beira de água, absorver aquele silêncio sepulcral. Em frente, do lado oposto, divisava-se Vilarinho de Negrões.
Apanhada aquela chuvinha revivificadora, regressei para continuar a contornar o lago até ao paredão, que vale a pena visitar, embora não o tivesse feito desta vez. Nesta zona existe um dos maiores conjuntos de centrais hidroeléctricas do país, nos rios Cávado, Rabagão e Homem: Paradela, Alto Rabagão, Alto Cávado, Venda Nova, Salamonde, Caniçada, Vilarinho das Furnas. A estrada acompanha o rio Cávado e pouco depois, chego à barragem de Venda Nova, também à cota máxima. Local ideal para saborear a mega-costeleta comprada em Chaves.
Despachada a costeleta, prossegui por um dos troços mais bonitos da estrada. A água acumulada da albufeira de Salamonde está mesmo ao nosso lado, irrigando os campos e montes verdes que são o regalo do gado barrosão que pasta livremente e em quantidade. A estrada agora começava a subir e o rio já só se deixava ver, parando num dos muitos locais destinados à sua observação. Do outro lado, as montanhas características da serra do Gerês também já se viam, em toda a sua imponência. É aconselhável parar várias vezes, pois a paisagem sempre diferente e sempre grandiosa, vale a pena. Perto do cruzamento que dá acesso à pousada de S. Bento, já se vê lá em baixo Rio Caldo e as suas célebres pontes gémeas.
Começo a descida, pela estrada sinuosa e apertada, com uma vista espectacular para a albufeira da Caniçada. Finalmente chego às pontes, onde paro para usufruir da paisagem e do sol que entretanto aparecera.
Deleitado, comecei a subida para o santuário de S. Bento da Porta Aberta. Este, habitualmente repleto de gente aos fins de semana, estava relativamente calmo. Debruçado sobre um vale glaciar, está num local com uma vista linda. Visitei-o demoradamente, absorvendo a paz que ali se respira e depois percorri o seu lindo jardim, em frente, com farto arvoredo, cascatas e lagos.
Estes jardins, cheios de peregrinos em dias de romaria, estavam agora desertos e silenciosos, prontos para mim...
Feita a visita a todo o recinto do santuário, que é enorme, parti, rumo ao meu destino desse dia. Há água em abundância por estes sítios. Ouviam-se cascatas e regatos a cantar a cada canto, a cada curva. Pouco depois entro em Covide, onde apanho a estradinha para Campo do Gerês. A partir daqui, existem inúmeros restaurantes e cafés, bem como empresas de actividades radicais e de ar livre. A vegetação é luxuriante oferecendo-nos sombra e frescura. Aparece o cruzamento onde está edificado o museu de Vilarinho das Furnas, que aconselho vivamente e sigo em frente para Campo do Gerês onde passo sem parar. Uns 2 Km a seguir, ainda a meio da tarde, chego ao meu destino, o parque de campismo de Cerdeira, um dos melhores do país. Como ainda era cedo, resolvi não entrar de imediato e seguir até à barragem de Vilarinho das Furnas, local que me deixa sempre forte impressão, pela beleza selvagem da paisagem, mas sobretudo por ter estudado e conhecer bem toda a história agora escondida sob as águas da albufeira concluída em 1973 e que submergiu a aldeia mais característica e que preservava quase intactos os hábitos de vida comunitária herdados de geração em geração desde há séculos. Barragem que nem produz energia, servindo apenas de reforço à barragem da Caniçada, a uma cota inferior e a que acede por uma intrincada e complexa rede de túneis por baixo das montanhas.
Sempre que há anos secos e o Verão se prolonga, lá rumo eu até aqui, para percorrer os caminhos enlameados no meio das ruínas fantasmagóricas que as águas baixas da albufeira deixam aparecer à superfície. Antigamente a estrada acabava aqui no paredão. Agora, pavimentaram um antigo caminho que serpenteia agarrado à montanha, da largura de um carro apenas e que vai até à aldeia de Brufe, depois de um percurso impróprio para quem tem vertigens ou receio de aventuras. Lá obriguei a autocaravana a entrar nele, embora ela tivesse pouca vontade de o fazer. Só existe um local para se poder cruzar, caso aconteça. Felizmente, os aventureiros são em número bem reduzido e naquele dia não havia nenhum, de modo que consegui fazer o caminho de ida e volta sem percalços.
Absorvido o silêncio e a mística do lugar, regressei, agora sim, para entrar no parque e preparar a minha base para os dias seguintes.
| Barragem do Alto Rabagão - Vilarinho de Negrões |
| Vista da minha cozinha - Barragem de Venda Nova |
| Rio Caldo |
Estes jardins, cheios de peregrinos em dias de romaria, estavam agora desertos e silenciosos, prontos para mim...
Feita a visita a todo o recinto do santuário, que é enorme, parti, rumo ao meu destino desse dia. Há água em abundância por estes sítios. Ouviam-se cascatas e regatos a cantar a cada canto, a cada curva. Pouco depois entro em Covide, onde apanho a estradinha para Campo do Gerês. A partir daqui, existem inúmeros restaurantes e cafés, bem como empresas de actividades radicais e de ar livre. A vegetação é luxuriante oferecendo-nos sombra e frescura. Aparece o cruzamento onde está edificado o museu de Vilarinho das Furnas, que aconselho vivamente e sigo em frente para Campo do Gerês onde passo sem parar. Uns 2 Km a seguir, ainda a meio da tarde, chego ao meu destino, o parque de campismo de Cerdeira, um dos melhores do país. Como ainda era cedo, resolvi não entrar de imediato e seguir até à barragem de Vilarinho das Furnas, local que me deixa sempre forte impressão, pela beleza selvagem da paisagem, mas sobretudo por ter estudado e conhecer bem toda a história agora escondida sob as águas da albufeira concluída em 1973 e que submergiu a aldeia mais característica e que preservava quase intactos os hábitos de vida comunitária herdados de geração em geração desde há séculos. Barragem que nem produz energia, servindo apenas de reforço à barragem da Caniçada, a uma cota inferior e a que acede por uma intrincada e complexa rede de túneis por baixo das montanhas.
| Ao fundo, arvoredo onde começava a aldeia de Vilarinho das Furnas, submersa nas águas da barragem |
| Único local para cruzamento |
Absorvido o silêncio e a mística do lugar, regressei, agora sim, para entrar no parque e preparar a minha base para os dias seguintes.
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