sexta-feira, 20 de abril de 2012

FRANÇA 2010 - 7

   No dia seguinte, como habitualmente, levantámo-nos aos primeiros alvores da madrugada e deparámo-nos com um espectáculo maravilhoso, apenas acessível a quem se levanta bem cedo: o sol ainda não aparecera, embora já houvesse luz suficiente para ver as montanhas recortadas num horizonte meio escarlate, meio violeta, semi-tapadas por uma bruma que se ia dissipando, qual véu puxado delicadamente por mãos invisíveis que foi pouco a pouco mostrando primeiro o campanário da igreja e depois todo o pequeno aglomerado que constitui a simpática povoação. Ficou registado na nossa memória, para um possível regresso.

Massat
Parque de campismo de Massat

       Atravessámos a fronteira por S. Béat, a caminho de Vielha, optando por não atravessar o túnel, com 5 Km de comprimento, muito estreito, com trânsito intenso e velocidade reduzida. Percorremos assim uma das mais bonitas zonas dos Pirenéus, que passa pela estação de desportos de Inverno e pistas de esqui


de Baquera-Beret, continuando por Barbastro, Huesca, Tudela, embrenhando-nos depois no paraíso vinícola de La Rioja, por Logrono, província onde passámos a noite, na pequena cidade de Najera, num parque de campismo que não passava de um quintal de uma residência, mas onde nos cobraram 25€ pela pernoita... No dia seguinte, depois de observarmos à distância uma grande quantidade de grutas escavadas nas montanhas de arenito e argila que rodeiam a saída sul da cidade, utilizados na época medieval pelos

Najera
 peregrinos do caminho francês de Santiago que ali se refugiavam de noite, dos salteadores que infestavam aquelas paragens, prosseguimos rumo a um objectivo que nos perseguia há muito tempo: a abadia de Sto
Domingo de Silos.

Sto Domingo de Silos
 
 Chegámos debaixo de calor intenso. Estacionámos a autocaravana num parque muito grande, mas um pouco afastado do aglomerado que rodeia o conjunto composto pelo mosteiro beneditino com seus belos claustros românicos jardins e fontanários. É um local onde se bebe espiritualidade, propício a alguns momentos de introspecção. Chegámos a tempo de ouvir cantar a oração da Hora Média (hora sexta, 12.00 H), em gregoriano, pelos monges que tão famosos ficaram depois de gravarem um disco em 1994.


Alimentado o espírito, coube a vez ao corpo. Satisfeitos assim, corpo e alma, prosseguimos por Valladolid, Tordesillas, Zamora e entrámos em terras lusas pela fronteira de Quintanilha, para pernoitarmos em Bragança, no parque do Inatel.


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