A sexta-feira, 26/7, foi para fruir da casa e suas dependências e dar uns passeios a pé pelas imediações.
Os relvados
As flores que tudo cobriam
Os inúmeros e encantadores recantos
Os pastos com horizontes de incrível beleza, a isso nos obrigaram. E apetecia ficar ali naquele ambiente, não um dia apenas, mas vários!
Domingo 27/7, foi dedicado à cidade de Aosta. Conquistada pelos romanos aos gauleses, a Augusta Praetoria é actualmente uma cidade relativamente pequena, para uma capital de região, mas muito movimentada e requestada pelos turistas. Estava o tempo ideal para a visitar, com céu limpo, mas sem excessivo calor. Queríamos ver os seus principais monumentos e atracções turísticas e fizemo-lo.
Começámos pelo Arco de Augusto, imponente, que domina uma das principais praças da cidade.
Perto, fica a Ponte Romana, actualmente integrada na expansão urbana.
Percorrendo a movimentada Via Sant'Anselmo
tínhamos à nossa direita a Collegiata de Sant'Orso.
Ao topo da Via Sant'Anselmo, está a Porta Preatoria, com seus arcos e uma torre medieval.
Torre Medieval, com os Alpes nevados ao fundo.
Logo em frente, fica o Teatro Romano, ainda com uma parte da sua fachada intacta.
Poucos passos andados e desembocámos na linda Piazza E. Chanoux, com o município e o hotel des Etats.
Por acaso, exibia-se ao centro da Piazza, uma interessantíssima exposição de artesanato talhado em madeiras.
O calor já apertava um pouco e o cansaço também fazia a sua aparição. Resolvemos portanto entrar num belo pátio, de onde nos chegava um cheirinho irresistível. Sentámo-nos na esplanada do lindo espaço e pouco depois saboreávamos uma excelente grelhada de carnes valdostanas. Madonna mia!
Mais retemperados, prosseguimos, agora para ver a catedral. O pórtico é muito bonito, cheio de figuras em relevo.
O interior porém, cheio de lindos vitrais, não lhe fica atrás.
Mesmo ao lado da catedral, fica o Fórum Romano e seu Criptopórtico. Era meia tarde, agora sim, estava calor e entretanto, como era domingo, tinha-se instalado a confusão nas ruas. Estava na hora de regressar e apanhar ainda um bom sol, refastelados nas "longue-chaises" estendidas em cima do relvado em Plan D'Avie. E lá fizemos os 8 Km de subida, que terminavam no nosso pequeno paraíso.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
terça-feira, 19 de agosto de 2014
VALE DE AOSTA 2014 - 3 PARCO NAZIONALE GRAN PARADISO
Como já disse, é impossível ficar a conhecer uma região, ainda que pequena, numa semana. Há que estabelecer prioridades e não querer ver tudo, porque senão acaba por não se ver nada em profundidade. Eu estabeleci como imprescindíveis a visita à cidade de Aosta, a sul ao inevitável Parco Nazionale del Gran Paradiso e seus vales Grisenche, di Rhêmes, Savarenche e Cogne. Aos imperdíveis castelos, com prioridade máxima para o de Fénis e Bard. As passagens pelos Cols de S. Bernardo, o gran e o petit, com visita às estâncias de Courmayeur e La Thuille e a norte entrando na Suíça por Martigny e descendo depois a Chamonix-Mont-Blanc, na França. Não dominamos todos os factores, nomeadamente os climatéricos, como veremos, e por vezes há que fazer adaptações. Assim, logo a 25/7, sexta-feira, decidimos começar pelo sul, visitando Cogne e as cascatas de Lillaz. O dia estava bonito e percorremos os cerca de 30 Km que nos separavam de Cogne, rapidamente, apesar de devagar, para apreciar devidamente o muito que havia para ver. Antes porém, uma paragem numa típica aldeia, para tirar umas fotos numa ponte sobre um rio caudaloso. Quando procurava a pose ideal, aproximou-se um touro com más intenções, talvez devido à minha camisa encarnada e, em face da clara vontade de me espetar um corno, só tive tempo de chegar ao outro lado da ponte.
A vila é muito típica, muito divulgada como ponto incontornável no Vale de Aosta e por isso cheia de turistas de todo o lado. Tem construções muito bonitas, mas depois são inevitáveis as muitas lojas todas dedicadas aos mesmos negócios, com os mesmos produtos expostos e as mesmas multidões deambulando pelo meio. Demos meia volta e continuámos rumo às cascatas de Lillaz, um pouco mais à frente. Aqui sim, apesar de haver bastante gente, não estava a multidão de Cogne.
Chega-se à base das cascatas por um curto caminho depois do parque de estacionamento. O acesso ganha grande dificuldade depois, quando se começa a subir por uma estreita vereda, sempre acompanhados por cascatas cada vez maiores, mais ruidosas e mais caudalosas. Um espectáculo indescritível!
A combinação das enormes massas de água, as imponentes falésias, o denso arvoredo e o ruído provocado pela água a bater nas rochas, emprestavam ao ambiente algo de irreal e único.
Na povoação, os inevitáveis maciços de flores, espalhavam-se por todo o lado, dando alegria a qualquer recanto.
Com tais paisagens em volta, apetece mesmo é ficar por ali a usufruí-las. E não há como almoçar no meio do verde, das flores, das montanhas e dos rios. Montámos o piquenique e pouco depois passava lentamente por nós um carro dos carabinieri, que depois de ver a nossa matrícula, mais interessada ficou, a ponto de pouco depois voltar a passar, ainda mais devagar. Talvez hesitassem em pedir para provar a comidinha portuguesa...
A parte da tarde foi dedicada aos vales di Rhêmes e Savarenche. Estradas sinuosas, sempre com altas montanhas nevadas e rios caudalosos por companhia. Povoações lindíssimas, de montanha, com muita presença de madeiras e flores.
Toda esta beleza natural, ar puro e natureza quase intocada e bem preservada, atrai milhares de pessoas, ávidas de a usufruir, de bicicleta, a pé, de canoa, ou, como nós, de automóvel ou moto. Toda a região vive primordialmente do turismo, assente na enorme oferta hoteleira, em todas as modalidades, as povoações estão cheias de restaurantes, bares, lojas de produtos ligados ao desporto e, excepto as quintas que se dedicam à criação de gado, toda a economia gira em torno do sector turístico. Quando tudo é belo à nossa volta, o tempo esgota-se rapidamente. Depois de chegarmos ao fim da estrada do Valsavarenche, no pequeno aglomerado de Pont, regressámos, não havendo já tempo para o Val Grisenche. Antes da hora de jantar, chegávamos a Plan D'Avie
Às suas neblinas anunciadoras da noite
Às suas vaquinhas
E às suas flores.
180 Km
A vila é muito típica, muito divulgada como ponto incontornável no Vale de Aosta e por isso cheia de turistas de todo o lado. Tem construções muito bonitas, mas depois são inevitáveis as muitas lojas todas dedicadas aos mesmos negócios, com os mesmos produtos expostos e as mesmas multidões deambulando pelo meio. Demos meia volta e continuámos rumo às cascatas de Lillaz, um pouco mais à frente. Aqui sim, apesar de haver bastante gente, não estava a multidão de Cogne.
Chega-se à base das cascatas por um curto caminho depois do parque de estacionamento. O acesso ganha grande dificuldade depois, quando se começa a subir por uma estreita vereda, sempre acompanhados por cascatas cada vez maiores, mais ruidosas e mais caudalosas. Um espectáculo indescritível!
| Cascatas de Lillaz |
A combinação das enormes massas de água, as imponentes falésias, o denso arvoredo e o ruído provocado pela água a bater nas rochas, emprestavam ao ambiente algo de irreal e único.
Na povoação, os inevitáveis maciços de flores, espalhavam-se por todo o lado, dando alegria a qualquer recanto.
Com tais paisagens em volta, apetece mesmo é ficar por ali a usufruí-las. E não há como almoçar no meio do verde, das flores, das montanhas e dos rios. Montámos o piquenique e pouco depois passava lentamente por nós um carro dos carabinieri, que depois de ver a nossa matrícula, mais interessada ficou, a ponto de pouco depois voltar a passar, ainda mais devagar. Talvez hesitassem em pedir para provar a comidinha portuguesa...
A parte da tarde foi dedicada aos vales di Rhêmes e Savarenche. Estradas sinuosas, sempre com altas montanhas nevadas e rios caudalosos por companhia. Povoações lindíssimas, de montanha, com muita presença de madeiras e flores.
Toda esta beleza natural, ar puro e natureza quase intocada e bem preservada, atrai milhares de pessoas, ávidas de a usufruir, de bicicleta, a pé, de canoa, ou, como nós, de automóvel ou moto. Toda a região vive primordialmente do turismo, assente na enorme oferta hoteleira, em todas as modalidades, as povoações estão cheias de restaurantes, bares, lojas de produtos ligados ao desporto e, excepto as quintas que se dedicam à criação de gado, toda a economia gira em torno do sector turístico. Quando tudo é belo à nossa volta, o tempo esgota-se rapidamente. Depois de chegarmos ao fim da estrada do Valsavarenche, no pequeno aglomerado de Pont, regressámos, não havendo já tempo para o Val Grisenche. Antes da hora de jantar, chegávamos a Plan D'Avie
Às suas neblinas anunciadoras da noite
Às suas vaquinhas
E às suas flores.
180 Km
sábado, 16 de agosto de 2014
VALE DE AOSTA 2014 - 2 PLAN D'AVIE
23/7, quarta-feira. Saímos de St Quirze para Ripoll e depois pela C-26, onde começaram os primeiros túneis.
A C-26 dá lugar à A-26, que nos serviu para entrarmos na pretendida AP-7, antes de Figueres, a primeira com portagem. Não parámos em La Jonquera e pouco depois atravessávamos a fronteira de França. O calor começava a apertar e as filas de camiões eram compactas. As auto-estradas francesas são caras, com várias paragens para tirar ticket e pagar ticket, mas as áreas de descanso e de serviço são óptimas, com uma frequência de cerca de 20 Km entre si, muito espaçosas, com enormes áreas bem arborizadas, com mesas, casas de banho limpas e muitas até com chuveiros exteriores. Parámos numa delas, na zona de Perpignan, muito perto do mar.
Prosseguimos pela A-9, sempre com imenso trânsito, por Narbonne, Béziers, Montpellier, Arles, Aix (aqui é preciso atravessar a cidade) A-51 e saímos na saída 18, de Manosque, com trovoada, para dormirmos no Ibis da cidade. Este fica mesmo perto da 1ª rotunda logo após a saída da auto-estrada, mas por distracção passámos sem ver a indicação e entrámos na cidade, integrados numa enorme fila, tendo que fazer o percurso inverso para achar o hotel. A insonorização deste era pior que as barracas de madeira e pouco depois de nos deitarmos, a cama do quarto de cima dançava, rangia e balançava que nem uma nau vergastada pela borrasca, num movimento que durou bem uma hora. Depois, deu para seguir todos os movimentos pelos ruídos: os chinelos a cair, o chuveiro a ser ligado, os roupeiros a serem abertos, a água a ser fechada, os interruptores a serem desligados... 510 Km neste 3º dia.
De manhã reentrámos na A-51, agora com pouco trânsito pois esta acaba antes de Gap, sem ligação a qualquer outra. O tempo estava de novo de trovoadas, mas as paisagens eram muito bonitas. Qualquer cidade está ligada por ferrovias, com comboios sempre a passar. Parámos logo na área de serviço de Manosque, quase vazia.
Saímos da auto-estrada no seu fim e apanhámos a D-942, com paragem na pequena mas airosa vila de Chorges. Já por aqui tenho dito que França é um oásis de supermercados de diferentes cadeias, bem sinalizados com antecedência. É fácil comprar refeições já confeccionadas, quando não há muito tempo para paragens em restaurantes. Foi o que aqui fizemos. Pouco depois, junto ao Lac de Serre-Ponçon, cheio de áreas de piquenique, parámos e almoçámos defronte das águas azuis e dos barcos que passavam.
Prosseguimos pela N-94, por Briançon e logo a seguir chegávamos à fronteira italiana em Montgenèvre, uma estância de desportos de Inverno a 1850 m, que desce depois do lado italiano, por ravinas impressionantes, até aos 1350 m de Cesana Torinese, em apenas 9 Km de "tornantes". Tínhamos entrado em Itália! Apanhámos a S 24, que nos ligou à auto-estrada A-32, no nó de Oulx. Aqui há também muitas paragens para tirar ticket e pagar ticket, mas, ao contrário de França onde são automáticas, nestas há sempre portageiros. Logo na primeira, uma madame com umas trombas colossais quando viu a matrícula, limitou-se a apontar para o painel onde estavam escritos os primeiros 6,4€ a pagar, por meia dúzia de quilómetros percorridos. Linda recepção! Depois de um "arrivederci" meu, em ar de gozo, correspondido por um arquear de sobrancelhas, prosseguimos até à próxima praça de pagamento. Esta zona está cheia de túneis, quase todos bem compridos. As áreas de serviço também tinham ficado em França... Na aproximação a Turim, o trânsito começou a intensificar-se e em toda a sua zona urbana tornou-se compacto, com viaturas a passar da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, a ziguezaguear por todo o lado, numa velocidade que fazia prever que qualquer toque que ali houvesse, provocaria imediatamente um choque em cadeia. Isto continuou por bastantes quilómetros, até já depois da entrada na A-5, onde o trânsito começa a descongestionar. Parámos numa pequena área de descanso, bem diferente das francesas, mesmo antes da saída de Aosta-est, onde largámos mais 16,4€.
Eu sabia que para chegarmos à quinta onde iríamos ficar, tinha que apanhar a S-27, que vai para o Col do Gd S. Bernardo. Logo a seguir às portagens, havia uma grande placa a dizer S-27 Gd S. Bernardo. E por ali nos enfiámos! Entrámos logo num túnel que nunca mais tinha fim. Mais de 5 Km de túnel, sempre a subir. Por fim, apareceu a luz do dia e umas bombas de combustível, onde parámos para perguntar por Arpuilles. O homem, que não falava francês, coçou a cabeça e por fim foi buscar um mapa, onde me tentou explicar que tinha que voltar para trás e eu percebi que não podia voltar a entrar no túnel. Voltámos para trás, de facto havia uma bifurcação bem confusa, por acaso optámos pela via exterior ao túnel e alguns quilómetros depois, entrámos em Aosta. Bonito serviço! Felizmente, fomos dar a uma rotunda, que soube depois ser a correcta, onde havia uma placa a dizer de novo "S-27 Col du gd S. Bernard", demos meia volta e regressámos pelo mesmo caminho. Mas quando já pensava que o homem das bombas nos tinha enganado, uns 3 Km à frente apareceu uma pequena placa a indicar Arpuilles. Entrámos numa estradinha estreita, cheia de "tornantes", com uma inclinação sempre superior a 12%. Ainda tivemos que pedir ajuda em Arpuilles, mas depois começaram a aparecer placas a indicar "Plan D'avie", e de facto, ao fim de 4 Km que pareciam não ter fim, avistámos a bela moradia onde iríamos ficar 8 dias, num local espectacular, no meio de relva, flores e montanha, e com a cidade de Aosta aos pés. Magnífico!
O sistema de alojamento é o agriturismo. Há 3 apartamentos no primeiro andar do edifício, destinados a aluguer e o restante é para a habitação da família proprietária e as dependências agrícolas. Na cave existe a adega, arrecadações, uma câmara de cura de queijos, nas traseiras fica o estábulo das vacas que logo que nasce o sol começam a berrar a pedir que as deixem ir para o pasto, as capoeiras, etc. De noite há um sossego absoluto. Depois de descarregar o carro e regalar os olhos com o cenário prodigioso que se estendia à nossa frente, fomos conhecer as imediações e descansar da viagem. 420 Km.
A C-26 dá lugar à A-26, que nos serviu para entrarmos na pretendida AP-7, antes de Figueres, a primeira com portagem. Não parámos em La Jonquera e pouco depois atravessávamos a fronteira de França. O calor começava a apertar e as filas de camiões eram compactas. As auto-estradas francesas são caras, com várias paragens para tirar ticket e pagar ticket, mas as áreas de descanso e de serviço são óptimas, com uma frequência de cerca de 20 Km entre si, muito espaçosas, com enormes áreas bem arborizadas, com mesas, casas de banho limpas e muitas até com chuveiros exteriores. Parámos numa delas, na zona de Perpignan, muito perto do mar.
| Perto de Perpignan |
Prosseguimos pela A-9, sempre com imenso trânsito, por Narbonne, Béziers, Montpellier, Arles, Aix (aqui é preciso atravessar a cidade) A-51 e saímos na saída 18, de Manosque, com trovoada, para dormirmos no Ibis da cidade. Este fica mesmo perto da 1ª rotunda logo após a saída da auto-estrada, mas por distracção passámos sem ver a indicação e entrámos na cidade, integrados numa enorme fila, tendo que fazer o percurso inverso para achar o hotel. A insonorização deste era pior que as barracas de madeira e pouco depois de nos deitarmos, a cama do quarto de cima dançava, rangia e balançava que nem uma nau vergastada pela borrasca, num movimento que durou bem uma hora. Depois, deu para seguir todos os movimentos pelos ruídos: os chinelos a cair, o chuveiro a ser ligado, os roupeiros a serem abertos, a água a ser fechada, os interruptores a serem desligados... 510 Km neste 3º dia.
De manhã reentrámos na A-51, agora com pouco trânsito pois esta acaba antes de Gap, sem ligação a qualquer outra. O tempo estava de novo de trovoadas, mas as paisagens eram muito bonitas. Qualquer cidade está ligada por ferrovias, com comboios sempre a passar. Parámos logo na área de serviço de Manosque, quase vazia.
| Área de serviço de Manosque |
Saímos da auto-estrada no seu fim e apanhámos a D-942, com paragem na pequena mas airosa vila de Chorges. Já por aqui tenho dito que França é um oásis de supermercados de diferentes cadeias, bem sinalizados com antecedência. É fácil comprar refeições já confeccionadas, quando não há muito tempo para paragens em restaurantes. Foi o que aqui fizemos. Pouco depois, junto ao Lac de Serre-Ponçon, cheio de áreas de piquenique, parámos e almoçámos defronte das águas azuis e dos barcos que passavam.
| Lac de Serre-Ponçon |
Eu sabia que para chegarmos à quinta onde iríamos ficar, tinha que apanhar a S-27, que vai para o Col do Gd S. Bernardo. Logo a seguir às portagens, havia uma grande placa a dizer S-27 Gd S. Bernardo. E por ali nos enfiámos! Entrámos logo num túnel que nunca mais tinha fim. Mais de 5 Km de túnel, sempre a subir. Por fim, apareceu a luz do dia e umas bombas de combustível, onde parámos para perguntar por Arpuilles. O homem, que não falava francês, coçou a cabeça e por fim foi buscar um mapa, onde me tentou explicar que tinha que voltar para trás e eu percebi que não podia voltar a entrar no túnel. Voltámos para trás, de facto havia uma bifurcação bem confusa, por acaso optámos pela via exterior ao túnel e alguns quilómetros depois, entrámos em Aosta. Bonito serviço! Felizmente, fomos dar a uma rotunda, que soube depois ser a correcta, onde havia uma placa a dizer de novo "S-27 Col du gd S. Bernard", demos meia volta e regressámos pelo mesmo caminho. Mas quando já pensava que o homem das bombas nos tinha enganado, uns 3 Km à frente apareceu uma pequena placa a indicar Arpuilles. Entrámos numa estradinha estreita, cheia de "tornantes", com uma inclinação sempre superior a 12%. Ainda tivemos que pedir ajuda em Arpuilles, mas depois começaram a aparecer placas a indicar "Plan D'avie", e de facto, ao fim de 4 Km que pareciam não ter fim, avistámos a bela moradia onde iríamos ficar 8 dias, num local espectacular, no meio de relva, flores e montanha, e com a cidade de Aosta aos pés. Magnífico!
| Plan D'Avie |
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
VALE DE AOSTA 2014 - 1
Este ano, o destino eleito para as férias de Verão foi um que já estava em lista de espera há vários anos: o Vale de Aosta, no noroeste de Itália. Trata-se da região mais pequena de Itália, mas uma das mais ricas em termos paisagísticos e ecológicos. Para quem gosta de montanha, como nós, é um verdadeiro paraíso. Fica a sudeste dos Alpes, com o Monte Branco ali mesmo ao lado e tem o Parco Nazionale del Gran Paradiso, o primeiro parque nacional italiano, que como o nome indica, é verdadeiramente um paraíso. A região, culturalmente é muito ligada a França, pois pertenceu à casa de Sabóia até ao século XVIII. Não admira portanto que praticamente toda a gente seja bilingue, falando fluentemente o francês. Também as indicações normais e turísticas se encontram nas duas línguas. Como habitualmente, a viagem foi feita em 4 rodas, desta vez em automóvel, ficando a autocaravana a descansar.
Assim, e para aproveitar a extensão do percurso, delineámos um itinerário que permitisse aproveitar não apenas o Vale de Aosta, mas a região envolvente, com um pulinho à Suíça e à região francesa de Chamonix e uma estadia de uma semana no regresso, nos Pirenéus centrais. Para o Vale de Aosta ficaram reservados 8 dias e outros 7 para a ida e o regresso, fazendo no total 3 semanas. É claro que não se consegue ver uma região, mesmo pequena, numa semana. Há que ser muito criterioso e selectivo nas escolhas, tentando eleger o principal, sem andar a correr, pois já vão longe os tempos de fazer 1000 Km diários para chegar ao destino e querer ver muita coisa num dia e chegar ao seu final, derreado. Fica muito para ver? Pois volta-se lá de novo! Para o Vale de Aosta escolhemos o alojamento em agriturismo, para ficarmos totalmente integrados no ambiente natural da região. A eleita foi uma quinta agrícola, que se dedica à criação de uma raça valdostana de bovinos, a 8 Km da cidade de Aosta, num plano superior, e que fica com a cidade aos seus pés. Um verdadeiro paraíso! (digilander.libero.it/plandavie/) É difícil lá chegar acima, os 8 Km são feitos sempre por uma estradinha estreita, sinuosa e íngreme, mas vale a pena.
Assim, saímos cedo no dia 21/7, segunda-feira, por Santarém, e A-23, com saída no Fundão para almoço, paragem na Guarda para umas últimas compras, Vilar Formoso, Salamanca, Valladolid e pernoita num hotel que nos serve de poiso habitual neste percurso, um pouco antes de Burgos, na A-62, na saída 16, junto a Cavia, o hotel Rio Cabia. É o ideal para quem deseja apenas jantar e dormir, sem entrar na cidade, pois fica mesmo junto à autoestrada. É confortável, as pessoas são simpáticas, barato, bons quartos, excelente internet, mas sempre com barulho provocado pelos outros hóspedes. É muito utilizado por emigrantes, não só portugueses, mas também espanhóis e marroquinos, que entram a toda a hora, sem qualquer respeito pelos outros, fazendo imenso barulho, batendo com as portas, arrastando móveis, gritando, tanto à chegada, como na partida, os primeiros logo pelas 4 da madrugada! Desta vez, o dono do hotel, que já nos conhece, simpaticamente colocou-nos numa ala sòzinhos, pois sendo segunda-feira havia pouca gente. E de facto dormimos sossegados, sem barulhos. 730 Km, neste primeiro dia.
Levantámo-nos frescos, como a temperatura do ar e regressámos à A-62 e ao convívio com os camiões portugueses, que ali passam incessantemente. Nesta zona de Espanha, é habitual as temperaturas rondarem os 40º nesta altura do ano, mas desta vez estava bastante fresco, providencialmente! Só de tarde o termómetro subiu até aos 31º, já depois de Saragoça.
Prosseguimos pela N 120 por Stº. Domingo de la Calzada, uma das principais estradas do Caminho de Santiago, sempre com imensos peregrinos a caminho, A-12 por Logroño, Tudela, Saragoça e suas estradas pejadas de camiões e optámos por seguir pela N II, estrada chata, com uma paisagem esquisita, de dunas de areão, árida e cheia de filas intermináveis de camiões. Eu chamo-lhe a estrada do "comboio dos duros". Paragem para almoço num restaurantezinho já conhecido, na zona de Bujaraloz, muito utilizado pelos camionistas, sinal suficiente para lá pararmos da primeira vez.
A-2, Lérida, saída 520 para a C-25, Manresa, Vic e C-17 até uma pequena vila eleita para a pernoita, St Quirze de Besora. As autovias que usámos neste dia, estão com um péssimo piso. Tivemos muitas dificuldades para encontrar o hotel, porque havia obras numa ponte que nos desviavam sempre para longe do centro. Por fim, a pé, lá o encontrámos, um hotel muito simpático, sossegado, confortável,
com comboios a passar em frente, à beira do rio e onde nos prepararam uma bela refeição à noite.
635 Km.
| Vale de Aosta |
Assim, e para aproveitar a extensão do percurso, delineámos um itinerário que permitisse aproveitar não apenas o Vale de Aosta, mas a região envolvente, com um pulinho à Suíça e à região francesa de Chamonix e uma estadia de uma semana no regresso, nos Pirenéus centrais. Para o Vale de Aosta ficaram reservados 8 dias e outros 7 para a ida e o regresso, fazendo no total 3 semanas. É claro que não se consegue ver uma região, mesmo pequena, numa semana. Há que ser muito criterioso e selectivo nas escolhas, tentando eleger o principal, sem andar a correr, pois já vão longe os tempos de fazer 1000 Km diários para chegar ao destino e querer ver muita coisa num dia e chegar ao seu final, derreado. Fica muito para ver? Pois volta-se lá de novo! Para o Vale de Aosta escolhemos o alojamento em agriturismo, para ficarmos totalmente integrados no ambiente natural da região. A eleita foi uma quinta agrícola, que se dedica à criação de uma raça valdostana de bovinos, a 8 Km da cidade de Aosta, num plano superior, e que fica com a cidade aos seus pés. Um verdadeiro paraíso! (digilander.libero.it/plandavie/) É difícil lá chegar acima, os 8 Km são feitos sempre por uma estradinha estreita, sinuosa e íngreme, mas vale a pena.
Assim, saímos cedo no dia 21/7, segunda-feira, por Santarém, e A-23, com saída no Fundão para almoço, paragem na Guarda para umas últimas compras, Vilar Formoso, Salamanca, Valladolid e pernoita num hotel que nos serve de poiso habitual neste percurso, um pouco antes de Burgos, na A-62, na saída 16, junto a Cavia, o hotel Rio Cabia. É o ideal para quem deseja apenas jantar e dormir, sem entrar na cidade, pois fica mesmo junto à autoestrada. É confortável, as pessoas são simpáticas, barato, bons quartos, excelente internet, mas sempre com barulho provocado pelos outros hóspedes. É muito utilizado por emigrantes, não só portugueses, mas também espanhóis e marroquinos, que entram a toda a hora, sem qualquer respeito pelos outros, fazendo imenso barulho, batendo com as portas, arrastando móveis, gritando, tanto à chegada, como na partida, os primeiros logo pelas 4 da madrugada! Desta vez, o dono do hotel, que já nos conhece, simpaticamente colocou-nos numa ala sòzinhos, pois sendo segunda-feira havia pouca gente. E de facto dormimos sossegados, sem barulhos. 730 Km, neste primeiro dia.
Levantámo-nos frescos, como a temperatura do ar e regressámos à A-62 e ao convívio com os camiões portugueses, que ali passam incessantemente. Nesta zona de Espanha, é habitual as temperaturas rondarem os 40º nesta altura do ano, mas desta vez estava bastante fresco, providencialmente! Só de tarde o termómetro subiu até aos 31º, já depois de Saragoça.
Prosseguimos pela N 120 por Stº. Domingo de la Calzada, uma das principais estradas do Caminho de Santiago, sempre com imensos peregrinos a caminho, A-12 por Logroño, Tudela, Saragoça e suas estradas pejadas de camiões e optámos por seguir pela N II, estrada chata, com uma paisagem esquisita, de dunas de areão, árida e cheia de filas intermináveis de camiões. Eu chamo-lhe a estrada do "comboio dos duros". Paragem para almoço num restaurantezinho já conhecido, na zona de Bujaraloz, muito utilizado pelos camionistas, sinal suficiente para lá pararmos da primeira vez.
| Imagem de marca, na NII, perto de Saragoça |
A-2, Lérida, saída 520 para a C-25, Manresa, Vic e C-17 até uma pequena vila eleita para a pernoita, St Quirze de Besora. As autovias que usámos neste dia, estão com um péssimo piso. Tivemos muitas dificuldades para encontrar o hotel, porque havia obras numa ponte que nos desviavam sempre para longe do centro. Por fim, a pé, lá o encontrámos, um hotel muito simpático, sossegado, confortável,
| St Quirze de Besora |
com comboios a passar em frente, à beira do rio e onde nos prepararam uma bela refeição à noite.
635 Km.
sexta-feira, 13 de junho de 2014
SS. PICOS DA EUROPA - 6 - BRAGANÇA
E tinha chegado o dia de regressar. O percurso era para fazer também em 2 dias e queríamos estar no domingo de Páscoa em casa, por isso havia que partir. E lá passámos pela última vez no desfiladeiro de La Hermida, até Panes, mas agora prosseguimos para Norte, até Unquera, para apanharmos a nova A-8, que segue sempre junto ao mar da Costa Verde, por Ribadesella, Villaviciosa e depois, no meio de alguma confusão de autoestradas, umas portajadas outras não, fomos parar onde queríamos, ao nó que liga à AP-66, junto a Mieres, sem pagarmos nada. Ainda percorremos uns quilómetros nesta via, que está indicada nos mapas como sendo autopista, portanto com portagem, mas não pagámos nada. Suponho que, ao contrário do que se passa em Portugal, como este troço foi construído em cima da antiga N 630, não deixando alternativa, não é agora portajado. Saímos pois no nó seguinte, para Campomanes, para a N 630. Havia trânsito muito intenso, com muitas motos, camiões lentos e, claro, imensos ligeiros, tudo em filas compactas. Era sexta feira santa, e certamente havia cerimónias religiosas em León. Parámos pouco depois, num miradouro com área de piqueniques e ali petiscámos, enquanto a fila se ia arrastando montanha acima, até Puerto de Pajares. Aqui, parámos de novo, para ver as vistas, bem bonitas, por sinal.
Ao longe avistavam-se uns cumes da Cordilheira Cantábrica, cobertos de neve. Lá muito em baixo, a saída de um túnel permitia ver um troço da linha ferroviária que vem de Oviedo para León.
Passámos La Robla e pouco depois estávamos em León. Embora esta cidade e sobretudo a sua catedral, estejam na nossa lista de espera, este não era o dia para isso. Atravessámos pois a cidade e continuámos pela A-66, entroncando depois na A-52 até Puebla de Sanábria. Parámos um pouco na sua linda estação de comboios, agora sem nenhum movimento, mas de onde se obtém uma também agradável vista sobre o rio e a velha mas bela cidade. E continuámos por Ungilde, pela estradinha ZA 92, que entra em Portugal por Rio de Onor.
Nesta pequena aldeia tão carismática, é obrigatório parar. Conhecêmo-la desde os tempos em que aqui havia guarda fiscal e uma corrente a servir de fronteira, embora as duas aldeias com o mesmo nome sempre tivessem estado ligadas por laços muito fortes ao longo dos tempos.
Entretanto foi descoberta para o turismo e perderam-se os últimos hábitos comunitários que perduraram até ao terceiro quartel do séc. XX, mas continua a merecer uma visita atenta.
A tarde avançava, já um pouco quente e nós fizemos o mesmo, devagar, atravessando aquele planalto do parque de Montezinho, por Varge e finalmente Bragança. Depois de um passeio pelo centro da cidade, congestionada pela procissão de sexta feira santa, recolhemo-nos ao poiso reservado para essa noite, no hotel S. Lázaro, unidade com uma boa relação qualidade/preço, neste dia quase cheio de espanhóis.
O dia seguinte, foi passado sem história de maior, pela A-4 até Macedo de Cavaleiros, Pocinho, Foz Côa, Celorico da Beira com paragem para compra de queijo da serra num ponto habitual, onde se compra mesmo queijo da serra, almoço em Venda de Galizes, Coimbra, Peniche. Foi uma óptima semana, com o tempo ideal para passear, não muito frequente nos Picos da Europa, em que tudo correu bem, de princípio a fim. É um destino a que não nos cansamos de voltar e por isso... voltamos sempre! Até breve!!
| Sierra de La Casomera |
Passámos La Robla e pouco depois estávamos em León. Embora esta cidade e sobretudo a sua catedral, estejam na nossa lista de espera, este não era o dia para isso. Atravessámos pois a cidade e continuámos pela A-66, entroncando depois na A-52 até Puebla de Sanábria. Parámos um pouco na sua linda estação de comboios, agora sem nenhum movimento, mas de onde se obtém uma também agradável vista sobre o rio e a velha mas bela cidade. E continuámos por Ungilde, pela estradinha ZA 92, que entra em Portugal por Rio de Onor.
| Rio Onor de Arriba |
Nesta pequena aldeia tão carismática, é obrigatório parar. Conhecêmo-la desde os tempos em que aqui havia guarda fiscal e uma corrente a servir de fronteira, embora as duas aldeias com o mesmo nome sempre tivessem estado ligadas por laços muito fortes ao longo dos tempos.
| O célebre marco fronteiriço que divide os dois países |
Entretanto foi descoberta para o turismo e perderam-se os últimos hábitos comunitários que perduraram até ao terceiro quartel do séc. XX, mas continua a merecer uma visita atenta.
A tarde avançava, já um pouco quente e nós fizemos o mesmo, devagar, atravessando aquele planalto do parque de Montezinho, por Varge e finalmente Bragança. Depois de um passeio pelo centro da cidade, congestionada pela procissão de sexta feira santa, recolhemo-nos ao poiso reservado para essa noite, no hotel S. Lázaro, unidade com uma boa relação qualidade/preço, neste dia quase cheio de espanhóis.
O dia seguinte, foi passado sem história de maior, pela A-4 até Macedo de Cavaleiros, Pocinho, Foz Côa, Celorico da Beira com paragem para compra de queijo da serra num ponto habitual, onde se compra mesmo queijo da serra, almoço em Venda de Galizes, Coimbra, Peniche. Foi uma óptima semana, com o tempo ideal para passear, não muito frequente nos Picos da Europa, em que tudo correu bem, de princípio a fim. É um destino a que não nos cansamos de voltar e por isso... voltamos sempre! Até breve!!
sexta-feira, 6 de junho de 2014
SS. PICOS DA EUROPA - 5 - RUTA DEL CARES
O penúltimo dia de estadia estava destinado a uma experiência que perseguia há anos e que, por um motivo ou por outro, foi sempre adiada até agora: fazer a Ruta del Cares, caminhada mítica, de renome mundial. Trata-se de um trilho conquistado à montanha ao longo de desfiladeiros, escavado na parede rochosa de penhascos com centenas de metros de altura, por gargantas abertas ao longo de milhões de anos pelo rio Cares, que nos acompanha sempre ao longo do percurso, numa correria vertiginosa bem lá no fundo, na maior parte do trajecto, nuns arrepiantes centos de metros mais abaixo. A "Ruta" propriamente dita, vai de Poncebos a Caín, numa extensão de cerca de 12 Km. Quem parte de Poncebos, tem os primeiros 2 Km sempre a subir, em muitos pontos com um declive acentuado, com piso pedregoso e solto, por um caminho bem estreito e perigoso. Sabíamos que iríamos encontrar muita gente, pois o trilho é famoso, sempre muito concorrido e era Semana Santa. Ainda por cima, tínhamos que fazer o nosso diário percurso, por Potes, desfiladeiro de la Hermida, Panes, virar em Arenas de Cabrales e finalmente, Poncebos. Sair não sair, fazer este percurso demorado e com a diferença horária, chegámos a Poncebos pelas 10 horas. Já não se podia passar do parque de estacionamento que fica a 2 Km do início do trilho. Primeiro revés, pois este percalço acrescentava imediatamente 4 Km à nossa caminhada! Estacionámos o carro, aprontámos a mochila com o que era importante, água, sumos, umas sanduíches, barras energéticas, chapéus e os cajados que nos acompanham há anos nestas andanças. Partimos, no meio de mais umas dezenas de pessoas, gente de todas as idades, jovens, pessoas de meia idade, crianças de tenra idade, cães... Uns, equipados como se fossem trepar ao Evereste, outros vestidos como se se fossem sentar calmamente na esplanada. Havia de tudo, como aliás já estamos habituados a encontrar. Ainda há um ano encontrei no Cirque de Gavarnie, em plena montanha e num trilho complicado de atacar, uma "madame" calçada com sapatos de salto alto, bons para ir a um requintado jantar de gala! Já sei que ao fim dos primeiros quilómetros, até o peso das moedas que levamos na carteira fazem a diferença! Passámos a antiga central eléctrica de Poncebos, a ponte sobre o Cares, junto à entrada do funicular de Bulnes, os bares e restaurantes de Poncebos e iniciámos a subida. Havia carros estacionados até mesmo ao limite do possível, certamente pessoas que haviam chegado cedíssimo! Neste ponto o Naranjo de Bulnes deu-nos as boas vindas, espreitando por entre a neblina que agora começava a dissipar-se, provocando efeitos fantasmagóricos, mas de grande beleza.
O céu agora era de um profundo azul e a temperatura agradável. Imagino o que será subir isto em Julho ou Agosto! O caminho sobe sempre, íngreme, as pedras a soltar-se e a rolar debaixo dos nossos pés e o abismo à esquerda, mesmo ali ao lado. Via-se imensa gente, alguns com crianças pela mão e outros ainda deixando as crianças à vontade, a correr junto ao precipício!!
A subida revelava-se extenuante. A certa altura apareceram umas casas em ruínas, com algumas cabras selvagens por perto, a exigirem as merendas aos caminhantes. Prossegui sòzinho a partir daqui.
Sabia que não faria o percurso por inteiro neste dia. Ir de Poncebos a Caín, são 24 Km aproximadamente. Para um caminheiro bem preparado fisicamente não é nada de extraordinário, mas trata-se de um percurso inteiramente em montanha, com troços de média dificuldade, perigoso, e com paragens frequentes, quer para descanso, quer para observação e captação de fotos. Há quem recorra a transportes públicos e há quem prepare antecipadamente alojamento no destino e regresse no dia seguinte.
As vistas são soberbas, a sensação de majestosidade é indescritível. Sentimo-nos muito pequenos em face da magnitude daquelas montanhas, da impetuosidade do rio muito no fundo, da altura imensa dos rochedos sobre os quais vamos avançando.
O caminho é agora relativamente plano. O trilho tem cerca de 1,5 m de largura, sem qualquer protecção e há pessoas que seguem descontraidamente mesmo à beira do precipício, como se passeassem no jardim do bairro.
Atravessamos pequenos túneis
que desembocam no trilho cortado directamente na parede rochosa, por mãos corajosas que arriscando a vida abriram uma passagem que evita uma volta de dezenas de quilómetros. A paisagem é impressionante. Convém não olhar para baixo!
Nova sucessão de túneis
E um momento de pausa para recuperar forças.
Sensivelmente a meio, resolvi voltar para trás. A tarde avançava e havia todo o caminho já feito, para percorrer em sentido inverso. A metade que faltava, penso que é a mais impressionante ainda, em termos paisagísticos, com pontes suspensas sobre o abismo e o rio Cares, mas ficará para breve.
Regressei pois ao ponto de reencontro, até ao condomínio das cabras que iam cobrando a sua portagem em alimentos, a quem ia passando.
E começámos a descer. Com tanta pedra redonda solta é preciso cuidado para não resvalar e acabar no fundo da ravina.
Depois de mais um teste aos tendões rotulianos, chegámos ao ponto de início da Ruta, onde também começa o GR-202 que trepa até Bulnes, depois de 5 Km de subida íngreme.
Fica também na lista para breve... Esta vereda que sobe pela montanha, era até há uns anos atrás, o único acesso à pequena aldeia de Bulnes, a única em toda a Espanha que não tem acesso por estrada.
Agora existe o funicular, que furando a montanha por cerca de 2 Km, leva as pessoas e bens até quase à entrada do povoado. O bilhete para não residentes é caro, um pouco mais que 21 €.
Faltavam ainda mais 2 Km até ao parque de estacionamento. As pernas agora iam bem mais cansadas do que de manhã. No entanto a beleza do percurso, sempre com o rio Cares ao nosso lado, amenizava o esforço. Queria ir ainda a uma aldeia que me ficou sempre na memória pelo seu isolamento e pela estradinha que trepa até lá acima. Sotres. Imagino o que seja viver aqui no Inverno, isolado pelos nevões e sem acesso ao exterior durante dias ou semanas. A estrada é estreitíssima, perigosa, com ravinas em todo o seu percurso, mas agora, ao contrário do que sucedia há uns anos, tem rail's de protecção.
Ao fim de muitos quilómetros de penosa subida, chegámos a Sotres. Havia muita gente que tinha pensado o mesmo que nós e que vagueava pela aldeia, fotografando freneticamente casas, esplanadas, bois, relva ou bosta...
Satisfeito o capricho, descemos pela estradinha em que cada cruzamento com outros carros tem que ser feito com muito cálculo. Depois de uma sucessão de pequenos túneis, estávamos de novo em Poncebos. E a partir daqui, o regresso a Brez, sem história, pelo percurso habitual. Estava concluída a nossa expedição aos Picos da Europa, cujo regresso iríamos empreender no dia seguinte.
| Subida inicial, Ruta del Cares |
O céu agora era de um profundo azul e a temperatura agradável. Imagino o que será subir isto em Julho ou Agosto! O caminho sobe sempre, íngreme, as pedras a soltar-se e a rolar debaixo dos nossos pés e o abismo à esquerda, mesmo ali ao lado. Via-se imensa gente, alguns com crianças pela mão e outros ainda deixando as crianças à vontade, a correr junto ao precipício!!
A subida revelava-se extenuante. A certa altura apareceram umas casas em ruínas, com algumas cabras selvagens por perto, a exigirem as merendas aos caminhantes. Prossegui sòzinho a partir daqui.
| Primeiros 2 Km, sempre a subir. |
As vistas são soberbas, a sensação de majestosidade é indescritível. Sentimo-nos muito pequenos em face da magnitude daquelas montanhas, da impetuosidade do rio muito no fundo, da altura imensa dos rochedos sobre os quais vamos avançando.
Atravessamos pequenos túneis
que desembocam no trilho cortado directamente na parede rochosa, por mãos corajosas que arriscando a vida abriram uma passagem que evita uma volta de dezenas de quilómetros. A paisagem é impressionante. Convém não olhar para baixo!
Nova sucessão de túneis
E um momento de pausa para recuperar forças.
Sensivelmente a meio, resolvi voltar para trás. A tarde avançava e havia todo o caminho já feito, para percorrer em sentido inverso. A metade que faltava, penso que é a mais impressionante ainda, em termos paisagísticos, com pontes suspensas sobre o abismo e o rio Cares, mas ficará para breve.
Regressei pois ao ponto de reencontro, até ao condomínio das cabras que iam cobrando a sua portagem em alimentos, a quem ia passando.
| Início da descida de regresso |
Depois de mais um teste aos tendões rotulianos, chegámos ao ponto de início da Ruta, onde também começa o GR-202 que trepa até Bulnes, depois de 5 Km de subida íngreme.
Fica também na lista para breve... Esta vereda que sobe pela montanha, era até há uns anos atrás, o único acesso à pequena aldeia de Bulnes, a única em toda a Espanha que não tem acesso por estrada.
Agora existe o funicular, que furando a montanha por cerca de 2 Km, leva as pessoas e bens até quase à entrada do povoado. O bilhete para não residentes é caro, um pouco mais que 21 €.
Faltavam ainda mais 2 Km até ao parque de estacionamento. As pernas agora iam bem mais cansadas do que de manhã. No entanto a beleza do percurso, sempre com o rio Cares ao nosso lado, amenizava o esforço. Queria ir ainda a uma aldeia que me ficou sempre na memória pelo seu isolamento e pela estradinha que trepa até lá acima. Sotres. Imagino o que seja viver aqui no Inverno, isolado pelos nevões e sem acesso ao exterior durante dias ou semanas. A estrada é estreitíssima, perigosa, com ravinas em todo o seu percurso, mas agora, ao contrário do que sucedia há uns anos, tem rail's de protecção.
Ao fim de muitos quilómetros de penosa subida, chegámos a Sotres. Havia muita gente que tinha pensado o mesmo que nós e que vagueava pela aldeia, fotografando freneticamente casas, esplanadas, bois, relva ou bosta...
Satisfeito o capricho, descemos pela estradinha em que cada cruzamento com outros carros tem que ser feito com muito cálculo. Depois de uma sucessão de pequenos túneis, estávamos de novo em Poncebos. E a partir daqui, o regresso a Brez, sem história, pelo percurso habitual. Estava concluída a nossa expedição aos Picos da Europa, cujo regresso iríamos empreender no dia seguinte.
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