quinta-feira, 20 de março de 2014

AMENDOEIRAS 2014

    Neste ano, esteve em dúvida a visita habitual às amendoeiras em flor, rotina sem quebras de há muitos anos, no meu roteiro pessoal. Mas consegui que o fim de semana de 8 e 9 de Março fosse dedicado a esse fim e em boa hora o fiz, pois a floração estava no seu auge, na maior parte dos locais eleitos.
    Saímos de Peniche com um sol radioso e uma óptima temperatura, por Leiria, Coimbra, IP-3 com a primeira paragem na pequena área de descanso junto ao nó de Penacova. Prosseguimos pelo IC-6, e N 17, com paragem para almoço, no habitual restaurante de S. Paio, junto a Gouveia. Continuação por Celorico, IP-2 até Foz Côa e depois pela N 222 que segue para Figueira de Castelo Rodrigo. Em Foz Côa, fizemos um desvio até ao museu, para nos regalarmos com as vistas sobre o Côa e o Douro.
Ponte ferroviária no troço desactivado da linha do Douro. Foz do rio Côa.
Prosseguimos, com paragem junto à foz do rio Côa, onde este, por baixo da ponte ferroviária, encontra o Douro. A partir daqui, começa o espectáculo das amendoeiras em flor. É este um dos pontos fortes, junto a Castelo Melhor e até Almendra. Sucedem-se os campos pintados de branco e rosa, conforme se trate ou não de amêndoa amarga.


À entrada de Almendra, como que a fazer jus ao nome, o espectáculo é inolvidável. Sucedem-se os pomares de amendoeiras carregadas de flores.









Decidimos fazer um desvio pela estrada municipal sem saída que nos leva até à desactivada e abandonada estação de Almendra, para usufruirmos do silêncio e da paisagem intocada desta zona do país que poucos conhecem. Aqui se situa a Quinta da Leda, onde agora se produz o mítico Barca Velha. Chegamos à arruinada estação, símbolo de uma larga parcela do território nacional, esquecida, ignorada e abandonada pelos poderes instituídos, que diariamente se proclamam defensores do equilíbrio entre litoral e interior e enchem os discursos políticos com o ordenamento do território.

 Ali ficámos por momentos a absorver aquele silêncio incomparável, a pisar as travessas apodrecidas que ainda suportam enferrujados carris por onde outrora circulavam comboios a vapor que transportavam pessoas e mercadorias a caminho de Barca D'Alva e Espanha, ou, ao contrário, a caminho do Porto. A via férrea existente, com o trajecto mais curto para alcançar Espanha, está assim abandonada nestes troços finais e pouco melhor nos restantes onde ainda se arrastam as automotoras compradas no ferro-velho espanhol, carregadas de graffiti que nem os vidros das janelas respeitam. Depois deste momento nostálgico, regressámos à N 222, para, já com o dia a finar-se, seguirmos rumo a Figueira de Castelo Rodrigo, onde chegámos pouco depois. Havia aqui uma concentração motard, que emprestava um movimento desusado a esta pacata vila. Depois de um telefonema a avisar da chegada um pouco tardia a Freixo de Espada à Cinta, começámos a descida para o Douro, já sem vermos outro dos locais de eleição das amendoeiras: as encostas que descem de Escalhão para Barca D'Alva, com o Águeda e o Douro a espreitarem ao fundo. Já era noite fechada quando chegámos a Barca D'Alva. Havia barracas de feirantes espalhadas por todas as ruas e no recinto do pequeno cais. Estacionámos com alguma dificuldade e fomos regalar a vista com o belo espectáculo proporcionado pela ponte que a iluminação transformou numa verdadeira obra de arte.


Depois de nos deliciarmos com a visão oferecida e de absorvermos o ar tépido da cálida noite, rumámos a Freixo de Espada à Cinta, contornando o rio Douro escondido no negrume da noite, mas ali bem ao nosso lado até à passagem pela barragem espanhola de Saucelhe, local onde a estrada começa a subir até à vila de Freixo, onde chegamos pelas 19,30. Procurámos o Cantinho do Pepino, turismo de habitação eleito para a pernoita, situado numa rua estreita do centro histórico, perto da matriz e da torre heptagonal, única no país.
     O jantar, como não podia deixar de ser, quando estamos em Freixo, foi no restaurante "A Cabana", onde é servida uma das melhores postas mirandesas de Trás-os-Montes. É sempre uma experiência gastronómica inolvidável. O dia seguinte, depois de tomado um lauto pequeno almoço, começou na praia da Congida, visita obrigatória quando visitamos Freixo.
Praia da Congida
     Subimos a seguir ao Penedo Durão, desta vez sem nevoeiros a impedir-nos de alcançar o fabuloso panorama que dali se avista. Lá bem em baixo, a barragem de Saucelhe.

Barragem de Saucelhe vista do Penedo Durão


Compradas umas deliciosas e gordas azeitonas e amêndoas descascadas a um idoso que ali estabelecera venda ambulante, lá fomos por estradinhas estreitas (N 325), que por Ligares e Peredo dos Castelhanos, ao fim de centenas de curvas desemboca na barragem do Pocinho, que atravessamos, a caminho de Stº Amaro e Mós. Aqui, as amendoeiras já quase não tinham flores, pois nestas encostas florescem mais cedo. Pouco depois, estávamos na estação de Freixo de Numão, para o repasto habitual no "Bago de Ouro". Bem comidos e bebidos, fomos ver passar o comboio por baixo de nós, num poiso perto da foz da Ribeira de Murça, onde habitualmente me refugio quando quero solidão.


Com o farto almoço a pesar-nos no estômago saciado, prosseguimos a caminho de outro dos troços majestosos do alto Douro: o miradouro de Vargelas e a Ferradosa.







Quinta de Vargelas
       Com a tarde a cair rapidamente, começámos a subir as encostas íngremes que nos levam da Ferradosa a S. Salvador do Mundo, com várias paragens para apreciarmos o espectacular panorama deste trecho do rio acompanhado por um dos mais belos troços da linha ferroviária do Douro.
Ferradosa





A viagem continuou por S. João da Pesqueira, Pinhão, pela bela estrada até à Régua e a partir daqui, já de noite, iniciámos o caminho de regresso, pela A-24, IP-3 até Coimbra, Leiria, Peniche.




Paisagem dramática, que Torga descreveu como ninguém, já perto do túnel da Valeira.
 Mais um excelente fim de semana, cumprindo um gostoso hábito pessoal: o de revisitar anualmente o espectáculo das amendoeiras em flor. Bom tempo, boa companhia, boa comida, boa bebida, boa viagem. Que mais desejar?

quinta-feira, 13 de março de 2014

CARNAVAL GALEGO

    Depois de 3 meses de chuva quase ininterrupta, que, aliada aos dias pequenos, me tiraram a vontade de sair, o Carnaval deparou-se-me como a oportunidade de quebrar o jejum. A autocaravana já protestava de impaciência na garagem. Resolvi assim partir por 5 dias para as Rias Baixas, na Galiza, região de que gosto muito. Decisão tomada apesar das previsões meteorológicas que prenunciavam muita chuva, vento e mar muito agitado. Saímos no sábado, dia 1 de Março, debaixo de chuva. Tomámos a A-8, A-17 até Aveiro e depois a A-1 e a A-3 até Valença. Almoço na área de serviço de Barcelos, sob dilúvio. A travessia de Pontevedra, habitualmente fácil, desta vez revelou-se mais problemática, dadas as alterações que os espanhóis gostam tanto de fazer como os portugueses. Depois de umas voltas por ruas estreitas, lá saímos para a N 550, até Padrón, onde apanhámos a via rápida VRG 11, para Ribera. A chuva não parava de cair, agora acompanhada de nevoeiro. O destino era o parque de Fraga Balada, perto de Porto de Son. Chegámos pelas 17,30 locais. O portão do parque estava fechado e não se via ninguém. No restaurante ao lado, pertencente aos mesmos donos, informaram-nos que não se podia entrar no parque, pois os acessos inteiramente em terra batida, estavam impraticáveis, como já tínhamos reparado. No entanto, podíamos ficar no parque de estacionamento do restaurante... As casas de banho, afinal, também estavam inacessíveis e a ligação eléctrica só foi disponibilizada através de uma extensão, já a noite havia caído há muito. A dona, cedeu-nos então a casa de banho de um quarto da residencial, para podermos utilizar. Por uma noite neste serviço improvisado, cobraram-nos 20,50€!
     No dia seguinte, sempre debaixo de chuva miúda, seguimos por Nóia e apanhámos uma nova via rápida para Santiago de Compostela. Estacionámos perto do centro e lá seguimos para a catedral, já várias vezes visitada, mas nunca dispensada. Está em obras, com uma torre rodeada de andaimes.



Nunca tinha visto a bela Praça do Obradoiro tão vazia!












Depois de percorridas demoradamente todas as imediações da catedral, nomeadamente as praças das Platerias e a de Quintana, internámo-nos no dédalo de ruelas estreitas, cheias de arcadas em pedra, e lojas, muitas lojas de tudo um pouco, com destaque para o artesanato.







Ao domingo, as cerimónias religiosas são constantes, o que impede as visitas sem restrições à catedral. Por isso, fomos almoçar numa das estreitas ruas e voltámos depois do almoço.









A catedral de Santiago não é das mais imponentes. A Espanha tem-nas em quantidade e bem mais ricas. Mas esta é especial por albergar as relíquias e os restos mortais de S. Tiago e por ser um dos principais centros mundiais do cristianismo. Feita a visita, regressámos à autocaravana e empreendemos o caminho de regresso. Desta vez dirigimo-nos a um parque já nosso velho conhecido, também em Porto de Son, o de Punta Batuda.


É um excelente parque, com uma vista fantástica, situado sobre o mar, na entrada da ria de Nóia. Havia uma promoção e os habituais preços de 25€ por noite, estavam a metade! E nós que dormíramos na noite anterior no parque de estacionamento de um restaurante por 20€! A noite foi tempestuosa. O vento em rajadas fortíssimas abanava a autocaravana, que era também fustigada pela chuva forte que caía em pesadas bátegas, enquanto se ouvia o mar mesmo em baixo a bramir contra as rochas. Pela manhã, tudo cinzento, céu fechado, nevoeiro e frio. As previsões indicavam o mesmo dos últimos dias. Na TV, viam-se imagens de enormes destruições provocadas pelo mar na Cantábria e País Basco, com casas e restaurantes desfeitos em montes de entulho. A ideia para este dia, era percorrer a estrada que segue sempre junto à costa, por Nóia, Muros, Cée e Fisterra, uma das estradas mais bonitas que conheço. Até Muros, o mar da ria de Nóia estava calmo, mas a partir de Muros, fora da protecção das rias, estava bravíssimo.



Casas construídas em locais piores que em Portugal, recebiam as ondas nas paredes e janelas.








Ao lado de locais idílicos em dias mais soalheiros.

Como o cabo Finisterra, local de enlevo e meditação, estava interdito devido ao temporal, resolvemos voltar para trás em Corcubión.







O anoitecer em Punta Batuda, apesar do céu carregado e da chuva miúda sempre presente, proporcionava-nos ainda assim, vistas soberbas da nossa janela itinerante.

No dia seguinte resolvemos regressar, mas em duas etapas. Há um parque recente no centro do Alto Minho que desejava conhecer. O parque de campismo de Aboim da Nóbrega, no concelho de Vila Verde. Assim, empreendemos o regresso, pela N-550, voltando a entrar na fronteira de Valença, com a chuva sempre por companhia. Prosseguimos por Monção e Arcos de Valdevez, onde parámos junto ao rio Vez, bem aconchegado pelas chuvas de tantos dias e ali procurámos o almoço.


Preparava-se o corso carnavalesco, mesmo com chuva e algum frio, naquele que se ouvia apregoar como o melhor carnaval do Minho. E arredores, acrescentaria eu!












Passavam mascarados e carros alegóricos, enquanto saboreávamos uns nacos de vitela. Ao lado, o rio Vez corria célere, naquele dia de Entrudo. Acabámos o repasto e, para fugir ao barulho infernal debitado pelas inúmeras colunas gigantescas espalhadas um pouco por toda a avenida, apesar da chuva persistente, fugimos de Arcos, a caminho de Ponte da Barca e Vila Verde.




O parque de Aboim da Nóbrega é bom para quem gosta de sossego e isolamento. Situado num ponto alto, tem 10 lugares para caravanas e autocaravanas e 2 apartamentos para aluguer. Nas imediações há vários circuitos pedestres sinalizados. Aqui está um parque que coloca o Fraga Balada espanhol a milhas e a metade do preço! Como era véspera de chegarmos a casa, a chuva estava a passar, mas o frio marcava presença naquele ponto alto e desabrigado.

Observando as imediações em Aboim da Nóbrega



Este é um parque a regressar, com mais tempo e clima mais propício.

O regresso fez-se sem história, pela A-3 até ao Porto, almoço nos Carvalhos e IC-2 até Leiria.

Apesar de muita chuva e algum frio, foi um óptimo "fim de semana" de 5 dias, depois de uma clausura de 2 meses... A autocaravana rejubilava de contentamento por essas estradas fora. E já reivindica novas aventuras!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

BRETANHA 2013 - 16 (ORTHEZ)

   31/7. Íamos iniciar o antepenúltimo dia de viagem. Este seria para chegar o mais próximo possível da fronteira com Espanha, sem visitas e paragens apenas para o imprescindível. Apanhámos a D 759 por Loudun e a D 347 até Poitiers. O dia estava muito quente. Contornámos Poitiers e prosseguimos pela N 147, por Bellac, até Limoges. Estradas intermináveis, com muitas autocaravanas. Dos dois lados, belos campos cultivados, com milho, trigo, girassol, vinha. N 21, por Chalus. Almoço numa área de serviço. Em Périgueux enganámo-nos numa rotunda e fomos parar dentro da cidade. Voltámos para trás, procurámos a saída pretendida para Bérgerac, mas a única indicação era azul, para autoestrada. Depois de voltas à procura, acabámos por entrar aqui e afinal havia uma saída mais à frente para a N 21. Passámos Bergerac e depois pela D 933, Marmande e Mont-de-Marsan. O dia declinava e com o calor e longo percurso, o cansaço já se fazia sentir, de modo que decidimos pernoitar em Orthez. Camping agradável, municipal, com uns bengalis ocupados por trabalhadores da construção civil. Fizemos 614 Km e pagámos 16 € pela pernoita.
    Antes das 6 horas, já os trabalhadores saíam com as suas carrinhas, em grande alvoroço. Nós aproveitámos a deixa e saímos antes das 7 horas. Prosseguimos pela D 933, por Salies-de-Béarn, Sauveterre-de-Béarn, duas vilas muito bonitas a requererem mais atenção numa próxima vez, e a nossa já bem conhecida St-Jean-Pied-de-Port, agora sem parar.
St-Jean-Pied-de-Port
     Agora, restava-nos fazer o caminho inverso ao da ida. Pamplona, Burgos. Almoço rápido à sombra de uma estação de serviço desactivada entre Burgos e Logrono, pois o sol queimava. Já lá estava um camião português com o seu "estaminé" montado, para umas costeletas fritas e salada de tomate. Chegaram depois mais 2 camiões, um português e outro espanhol. Aquela estação já deve ser "restaurante" habitual... A partir de Burgos, a autoestrada ficou cheia de carros de emigrantes portugueses. Havia mais matrículas francesas que espanholas! Quase todos com atrelados, bagagem, motas de água, motos 4, bicicletas. Um autêntico êxodo! Só começou a descongestionar um pouco a partir da bifurcação para Zamora. Pernoitámos de novo no Camping Olímpia, a 12 Km de Salamanca, na A-62. Já depois das 22 H, chegaram 2 carros com atrelados para dormir no hostal. Emigrantes portugueses, claro. Eram 3,45H, saíram, debaixo de grande algazarra, confirmando assim que eram portugueses.
     E o restante caminho foi feito sem história, por Vilar Formoso, Sabugal, Fundão. Aqui, as saudades da bela comida portuguesa falaram mais forte. Entrámos num pequeno restaurante com aspecto agradável e comemos umas belas pataniscas com arroz de feijão depois de umas entradas divinais. Refeição farta, com bom vinho e sobremesas para 2, por 14 €! Estávamos definitivamente na nossa terra portuguesa! Comprámos ao lado numa pequena mercearia uns belos pêssegos do Fundão, que eu identifico em qualquer lado só pelo cheiro. Depois, confirma-se pelo gosto, o melhor de todos os pêssegos que se podem experimentar. Guarda, Castelo Branco, paragem na Carregueira para comprar fruta barata acabada de apanhar, e legumes, ao agricultor, já conhecido.Santarém, Peniche.

       Chegava assim ao final uma bela viagem, em que tudo correu muito bem, sem nenhum incidente, cumprindo quase por inteiro o itinerário preparado. Fizemos no total 4990 Km, gastámos 500 € em gasóleo e 346 € em parques de campismo. Estas foram as duas maiores despesas. França é de facto um país óptimo para passear de carro. Muito bonito, diversificado, seguro, organizado, as pessoas em geral são simpáticas e hospitaleiras. Experiências a repetir... Vamos já começar a preparar o itinerário para o próximo ano. Até lá!

sábado, 21 de setembro de 2013

BRETANHA 2013 - 15 ( CHINON)

O dia seguinte, 30/7, estava destinado aos castelos do Loire. Para isso tínhamos escolhido Chinon como base de apoio. Recordo que já estávamos no caminho de regresso e esta paragem de um dia, destinava-se apenas a não fazer tantos quilómetros seguidos, mas aproveitando a passagem por esta zona tão rica patrimonialmente. A dificuldade era escolher quais os castelos a visitar, já que eram tantos, concentrados numa região de poucos quilómetros. Um dia não chegava para ver mais que quatro. Além disso, as visitas são caras, demoradas e cansativas. Decidimo-nos pois pelo castelo de Saché, Azay-le-Rideau, Ussé e Chinon. Olhando para o mapa da zona, à volta de Chinon, é um quebra-cabeças escolher os castelos, tal a sua quantidade e a imponência e beleza de quase todos.
    Saímos pela estrada D 8, que bordeja o rio Vienne pela sua margem direita, inflectindo depois para norte em St Gilles, para a D 757. À entrada de Azay-le-Rideau, uma placa indicava-nos um desvio para Saché. Estradinha estreita, rural, que foi dar à pequena povoação e ao castelo. Parámos, mas este estava ainda fechado e faltava uma hora para abrir. Não podíamos estar tanto tempo à espera.

Foi pena, já que este castelo tem como atractivo extra, um museu de Balzac, pois o escritor passava aqui largas temporadas para se inspirar, tendo sido dentro destas paredes que produziu algumas das suas obras. Seguimos portanto para Azay-le-Rideau, ali mesmo ao lado e sede de um dos castelos mais famosos.





Castelo de Azay-le-Rideau
       O castelo é de facto imponente. A entrada custa 8,50€, mas vale a pena. A visita é demorada, pois o palácio é enorme, com imensas salas ricamente mobiladas e se quisermos dar alguma atenção a cada uma, o tempo passa sem darmos por isso. É que até os sótãos são muito interessantes!
Sótão do castelo de Azay-le-Rideau


Era aqui que se situavam os quartos da criadagem. O primeiro andar está mobilado em estilo Renascença, com muitos salões riquíssimos e o rés-do-chão tem mobiliário do séc.XIX, pois foi neste século que o palácio foi restaurado.
































Por fim, passámos aos jardins, outra maravilha!



A combinação do frondoso arvoredo que envolve o castelo, e das águas que o rodeiam cria um efeito maravilhoso. E já tinha passado metade da manhã!
    O vale do Loire foi escolhido pelos reis de França desde sensivelmente 1500, para se instalarem em busca de coutadas de caça, que era aqui abundante devido à existência de bosques e grandes florestas. Assim, quer estes, quer as mais altas figuras da corte, construiram belos castelos e palácios em toda a zona, que também é possuidora de um clima ameno.
     Atravessando o rio Indre, dirigimo-nos ao castelo de Ussé, pela D 17. Este é um dos mais belos castelos do Loire e também um dos mais visitados, apesar do preço do bilhete de entrada de 14€.
Chateau de Ussé
     Este castelo, com as suas altas chaminés e torreões, inspirou Perrault a escrever a Bela Adormecida, que é um tema constante em todo o castelo. Toda a parte superior, a que chamam a "ronda do castelo" e os sótãos, tem as salas ocupadas com cenas e recriações da história da Bela Adormecida. E as salas dos andares abaixo, têm também figuras representando cenas do quotidiano familiar.


























Tema alusivo à Bela Adormecida
















Os sótãos deste castelo são bem mais interessantes que os do anterior. Este está repleto de tudo aquilo que imaginamos num sótão de um castelo de gente abastada. Toda a sorte de velharias requintadas ali se encontra, devidamente cobertas por convincentes camadas de pó.


Cá fora e separada do castelo, existe uma enorme e belíssima capela.




Nas traseiras há ainda as cocheiras e cavalariças.











E, numa das mais famosas regiões vitivinícolas de França, não podiam faltar as adegas numa casa desta importância. Foram escavadas em grutas na rocha, ao lado do castelo.








    Depois de um último olhar ao conjunto espectacular do castelo e seus magníficos jardins, partimos para outro. Mais uma vez o tempo correra apressado. Aqui, até as estreitas estradas são belas. Tudo transpira beleza e requinte, as casas, os jardins, os bosques em volta, recantos bem arranjados, um pouco por todo o lado. Eram já horas de almoço e por isso encostámos numa área de piqueniques. O tempo passara mais rapidamente que o previsto. Tínhamos planeado ir ver a Abbaye Royale de Fontevraud, uma das maiores abadias medievais da Europa. Mas dado o adiantado da hora e ainda ser um pouco afastada para oeste, decidimos prescindir desta visita, não fosse chegarmos fora de horas para a visita ao castelo de Chinon, esse sim, que não queríamos perder. E foi o que fizemos. Regressámos a Chinon, passando ao lado de uma enorme central nuclear, refrigerada pelas águas do Loire, colocámos a autocaravana no parque e dirigimo-nos a pé até ao centro da cidade.
    Chinon é uma cidade rica em história, tendo sido esse um dos motivos que nos levou a querer pernoitar aqui. Aqui nasceu Rabelais, grande escritor renascentista. Numa casa das suas pitorescas ruas, na parte antiga da cidade, foi morto o rei de Inglaterra Ricardo Coração de Leão. E foi no castelo de Chinon que ocorreu o encontro entre Joana D'Arc e o delfim de França, em que, segundo a lenda, ela o reconheceu, apesar de disfarçado e de nunca o ter visto antes. Foi então coroado rei, com o nome de Carlos VII. Joana D'Arc convenceu-o a entregar-lhe um exército, com que libertou a cidade de Órleães, mudando o rumo da guerra dos Cem Anos a favor de França.
Salão do castelo de Chinon onde terá ocorrido o encontro de Joana D'Arc com Carlos VII














     Existe um elevador gratuito que transporta as pessoas da parte baixa da cidade para a parte alta, onde se situa o castelo. Utilizámo-lo e chegámos rapidamente à entrada do castelo. O ingresso custa 7,50€. O castelo é composto por várias partes, pois dentro do seu enorme perímetro existem variadas torres, todas com muito interesse, algumas com longas escadarias que levam a masmorras subterrâneas, bem como outras que sobem até às ameias. Visita cansativa, especialmente depois de um dia inteiro a subir e a descer enormes e íngremes lances de escadas nos outros castelos.
Ala do castelo onde se situavam os aposentos senhoriais
     Começámos pela torre mais alta, no cimo da qual se alcança uma soberba vista sobre Chinon e arredores.



Em cada andar existem aposentos mobilados de forma espartana.








Vista de Chinon, a partir do castelo














Tapeçaria alusiva ao encontro entre Joana D'Arc e Carlos VII





Para quem gosta de história, é emocionante pisar aquelas salas e passar a mão naquelas pedras que assistiram a episódios que marcaram o curso de acontecimentos tão determinantes para o futuro das nações.







Acabada a visita, descemos no elevador até ao centro da cidade e, cansados, sentámo-nos numa das muitas esplanadas a saborear um belo gelado.









De volta ao parque, cansados mas satisfeitos por um dia cheio, jantámos e fomos actualizar as notícias portuguesas, sobre incêndios, cortes e acusações. Depois, o inevitável facebook... antes de nos entregarmos nos braços de Morfeu...







             Visita aos 3 castelos    60 €          Parque de Chinon (2 noites) 29 €

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

BRETANHA 2013 - 14 (VALE DO LOIRE)

29/7. Era tempo de começar a rumar a sul. Tal como na viagem à vinda, tínhamos programado a travessia do território francês em 2 dias, para não ser muito cansativo.

O destino era a cidade de Chinon, no Vale do Loire, situada nas margens do rio Vienne, afluente do Loire. Deixámos St. Briac-s-Mer, com pena e tomámos a D 603 para St Malo. Parámos na barragem du Rance, para tirar umas fotografias.







Apercebi-me de imediato que se preparava uma eclusagem, pois dirigiam-se inúmeros barcos de todos os tamanhos para a eclusa da barragem, de um lado e do outro. Os que vinham de Dinan, começaram a entrar até não caberem mais.








Em seguida, fecharam-se as cancelas que bloqueiam o trânsito na autoestrada para St Malo, o que forma filas de quilómetros nesta altura do ano. A ponte levadiça, que faz parte dessa autoestrada, começou a levantar-se até ficar na perpendicular, para deixar passar os veleiros sem terem que arrear os mastros.






Passaram os barcos para o lado de St Malo e da foz do Rance e depois entraram os outros, para fazerem o percurso inverso. Só depois é que a ponte começou a baixar, ao mesmo tempo que a eclusa enchia. Todo este processo é  moroso e pouco prático, levando pelo menos 10 minutos com o trânsito parado à espera. É muito interessante para os turistas, mas imagino a impaciência de quem faz este trajecto habitualmente...

St Malo, vista da barragem du Rance
Depois de deixarmos escoar as centenas de viaturas acumuladas, demos uma última vista de olhos a St Malo e seguimos viagem. D 137, até Rennes, capital da Bretanha. Viam-se agora imensos carros de matrícula inglesa, certamente desembarcados dos ferries em St Malo. Não queríamos entrar na cidade e não era preciso, não o querendo, pois todas estas cidades têm circulares que escoam todo o trânsito sem ser necessário entrar nelas.Mas um erro numa saída atirou-nos para dentro de Rennes. Demos umas voltas por ali e voltámos à circular externa para apanharmos a via rápida N 157, para Laval. Saímos na saída 5, para a D 57, pois a partir deste nó, a autoestrada passa a ser paga. Em Laval foi bem difícil encontrar a estrada que pretendíamos seguir, a D 21, para Sablé-s-Sarthe. Ao contrário do que é habitual, contornámos rotundas, voltámos para trás, demos voltas, para finalmente encontrar a saída correcta. Almoço numa área de piqueniques.D 306 La Fléche, Le Lude, Chateau-la-Vallière. Prosseguimos pela D 34, uma enorme recta de 27 Km, pelo meio de bosques. A meio, um desvio por uma estradinha estreita que indicava o "chateau" de Champchevrier.


Fizemos o desvio, por baixo de enormes árvores e logo que estacionámos levantou-se um terrível vendaval acompanhado de um forte aguaceiro que só nos deixou tirar 3 fotografias ao chateau. Voltámos à estrada e pouco depois chegámos a Langeais, cidade muito bonita, também com um lindo castelo. Nesta zona, as indicações de "chateau", estão por todo o lado, em grande quantidade.

Langeais, ponte sobre o Loire


Atravessámos a bela ponte sobre o rio Loire, a caminho de Azay-le-Rideau, outra cidade onde existe um dos mais famosos chateau do Loire. Como aqui voltaríamos, passámos sem parar, atravessando o rio Indre e tomando nova recta, agora com 18 Km, na D 751, sempre pelo meio da Forêt de Chinon. Contornámos Chinon, atravessámos o rio Vienne e entrámos na cidade pelo sul. Atravessando nova ponte, agora no centro da cidade, achámos o parque de campismo logo ali, à beira do rio e mesmo em frente ao imponente chateau de Chinon.
Chateu de Chinon
O parque estava quase cheio. Tem uma óptima localização, perto do centro da cidade, que iria estar em festa nesse fim de semana. É também um bom centro de apoio para quem queira explorar a grande quantidade de castelos, vinhas e belas cidades em redor, no vale do Loire.


Instalámo-nos, com franceses e ingleses a observar atentamente a pequena autocaravana com montagem portuguesa e que suscita sempre grande curiosidade por onde passamos. Houve ainda tempo para atravessarmos a grande ponte sobre o Indre, darmos uma pequena volta pela cidade e regressar à beira rio.






Há ali uma esplanada mesmo junto às águas e um pequeno cais de embarque para passeios de barco. Ficámos por ali a absorver aquele ambiente e fomos depois jantar. Ao anoitecer o cenário transformou-se numa visão majestosa para o lado oposto do rio, com o castelo todo iluminado e oferecendo-nos um espectáculo grandioso que nos agarrou junto às margens durante largo tempo.

Vista nocturna do castelo de Chinon


         365 Km               Parque Point Laurin (St Briac) 101€ (5 noites)