segunda-feira, 3 de junho de 2013

PRIMAVERA NO GERÊS - 1

   Na segunda semana de Maio decidi ir apanhar o ar puro do Gerês, aproveitando a previsão de alguma melhoria do tempo prevista para essa semana. E lá fui no domingo, dia 5, por Coimbra, IP-3 até Viseu, entrei na A-24 para não ter que contornar as 23 rotundas dentro da cidade para quem sai para Norte, e saí na rotunda de Viseu Norte, para não pagar portagens na A-24. A partir daí segui na N 2, que antigamente estava vazia e agora parece que recuou 15 anos, cheia de trânsito... Paragem na ermida da Srª da Orada, depois de Castro D'Aire, para almoço e pouco depois estava em Lamego, destino para o 1º dia. Abriu aqui recentemente um parque de autocaravanas, logo à entrada da cidade, junto às caves Raposeira e decidi experimentá-lo. O local era anteriormente uma quinta, com uma estalagem agora em ruínas. O recinto exterior foi aproveitado, construídas casas de banho e lavabos e está rentabilizado o espaço.
Tem algumas árvores de grande porte e um caramanchão com uma excelente vista sobre a cidade, onde se pode descansar em sossego. Tem Wifi, de qualidade sofrível, pois cai com frequência e os preços estão um pouco inflacionados para a oferta, na minha opinião, mas os estrangeiros já o procuram com regularidade.
    O dia seguinte estava reservado para o comboio da linha do Douro. Saí cedo, rumo à Régua, pela A-24. Lamego não foge à regra do caos em ano de eleições autárquicas. Os pisos da praça central estão todos levantados, há pedras e pó por todo o lado, desvios, taipais, máquinas, um inferno! Cheguei muito cedo à Régua e ainda tive tempo para percorrer a ponte velha agora aproveitada como travessia pedonal.
Ponte pedonal - Régua











Por baixo passava um navio de cruzeiro, para acostar mais à frente.


Em baixo, mesmo junto ao Douro está em fase de acabamento uma área de serviço para autocaravanas, zona onde também existem muitos lugares para estacionar outras viaturas.

Eram horas de comprar o bilhete de comboio. Desta vez o objectivo era seguir para Oeste, para o lado do Porto, ao contrário do que é habitual em mim. A linha segue sempre à beira do rio até ao apeadeiro de Pála. Era pois até aqui que eu queria ir, para apreciar as belas paisagens ribeirinhas e passar em cima do mais alto viaduto ferroviário português, precisamente o de Pála. O dia estava cinzento. O comboio desfilava por Caldas de Moledo, onde a Ferreirinha se banhava nas termas e agora está ao abandono, Rede, onde desembarcou o Primo Basílio, do romance de Eça, vindo de França, quando esta linha ia até Salamanca, Caldas de Aregos com as suas termas recuperadas do lado oposto do rio.

Caldas de Aregos vistas do comboio.
Pouco depois, Mosteirô e a sua bela ponte, o Hotel Porto Antigo onde fico quando preciso de me mimar e o lago formado pela albufeira da barragem de Carrapatelo. Entramos num local de rara beleza.
Porto Manso e mais à frente, Pála.






Em baixo, a localidade de Porto Manso e os dois viadutos altíssimos, atravessados os quais, chegamos ao apeadeiro de Pála, onde saio.







Vista do comboio de cima do viaduto de Pála




Tinha um quarto de hora até chegar o comboio de regresso à Régua, tempo que aproveitei para fotografias e para deliciar a vista com tão belas paisagens.





Hotel Porto Antigo e foz do rio Bestança
À espera do Primo Basílio?...




Há sempre barcos a subir e a descer o rio, apesar de ainda estarmos no início de Maio.







Antigo rabelo, descendo o Douro.




Passava pouco do meio dia quando chegámos de novo à Régua. Tempo ainda para uma volta pela antiga artéria comercial e depois pelo caminho pedonal à beira rio, que segue até à base das pontes. Lá estava a autocaravana à espera. Segui pela estrada que acompanhava o troço inicial da linha do Corgo e que ladeia a linha do Douro e o rio, até à barragem de Bagaúste. Depois pela linda estrada que vai para o Pinhão. A meio, o almoço, interrompido de quando em quando pela passagem de barcos ou comboios.

O Fernão de Magalhães entre o Pinhão e a Régua
Prossegui pela estrada que sobe até Tabuaço. Os vinhedos cobrem todas as encostas visíveis. Pouco depois desta vila, há uns penhascos altíssimos, com uma enorme escadaria em madeira que trepa até ao cimo. Já noutra ocasião subi até ao topo, de onde se obtém uma vista compensadora para tanto esforço. Chego a Moimenta da Beira e viro à direita, para Tarouca. Aqui chegado, há um desvio para Ucanha e Salzedas, que tomo. Em Ucanha existe uma curiosa ponte, com uma torre incorporada para cobrança de portagem. Por baixo, corre o rio Varosa.
Ponte e torre de Ucanha.



Ainda se pesca neste rio e ainda há moinhos de água, recuperados, junto à ponte.









Ponte de Ucanha e moinho de água.





Seguindo a estreita estrada municipal cheia de curvas, pouco depois entro em Salzedas, dominada pelo grande mosteiro cisterciense.





Mosteiro de Salzedas



De volta, já era tarde para visitar o belo mosteiro de S. João de Tarouca, onde já não vou há uns anos. Ficará para uma próxima viagem por estas bandas. Pouco depois, entrava em Lamego e suas obras, para mais uma noite.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

FDS - PORTO ANTIGO

    A Primavera parecia ter-se instalado nestes meados de Abril. Um convite irrecusável para um fim de semana de mudança de ares.
     Saímos no sábado, dia 20, rumo ao norte, pelo IC-2 até Oliveira de Azeméis, onde almoçámos, junto ao parque de La Sallete, ponto alto que domina toda a cidade. Verificámos com pena o encerramento definitivo de mais um parque de campismo, precisamente o de La Sallete. Prosseguimos  por Vale de Cambra e Arouca. Antes de alcançada esta bonita vila, como ainda era cedo, decidimos embrenhar-nos na serra da Freita, para observarmos o efeito de um Inverno rigoroso sobre a cascata da Frecha da Misarela. O "véu da noiva" estava lindo, como sempre, e de facto a água caía copiosamente.



Trata-se de uma das mais altas quedas de água da Europa, com cerca de 75 metros de altura, inserida num cenário de grande beleza paisagística. As águas do rio Caima, aqui ainda puras, frescas e límpidas, depois de alimentarem ervas tenras que crescem à beira do seu curso aproveitado para praia fluvial muito concorrida no Verão, tanto por pessoas, como por belas vacas arouquesas, precipita-se de um rochedo granítico, indo cair estrondosamente muito mais abaixo.

Frecha da Misarela

Rio Caima, antes da Frecha da Misarela


Visitado este local bucólico, surpreendentemente deserto, excepto uns jovens que ali estavam acampados, regressámos por Albergaria das Cabras (eu continuo a chamar-lhe assim, embora "oficialmente" agora se chame Albergaria da Serra), típica aldeia de montanha, Meruge e voltámos à estrada para Arouca, onde chegámos pouco depois. Para seguir para Castelo de Paiva, não é necessário entrar em Arouca, há uma rotunda antes da entrada, mas a placa sinalizadora, bem à portuguesa, só é visível por quem vem do centro da vila... Assim, entrámos em Arouca, demos-lhe bem a volta e depois voltámos para trás até à rotunda e assim já vimos a placa...
A estrada até Castelo de Paiva é um autêntico calvário de curvas apertadas, estreita, extensa e de paisagem monótona, sempre de eucaliptos. Depois de muito virar e revirar, lá chegámos finalmente a esta vila já bem perto do Douro. Sem parar, prosseguimos pela estrada que acompanha o rio, muito bonita, embora com muitas curvas e que segue para Cinfães. Antes porém, resolvemos fazer um pequeno desvio para visitar a barragem de Carrapatelo.
Barragem do Carrapatelo


Pouco depois passámos Cinfães e volvidos mais uns quilómetros chegávamos ao nosso destino, Porto Antigo e seu hotel debruçado sobre o Douro, no local onde o rio Bestança desagua e ao lado da linda ponte de Mosteirô, que transpõe o Douro que aqui se alarga para dar lugar à albufeira de Carrapatelo. É um local paradisíaco, com uma paisagem grandiosa que nunca cansa os olhos. O hotel foi adaptado da residência do explorador africano Serpa Pinto e é um dos que recomendaria a alguém que procurasse um recanto para um fim de semana romântico, com uma das melhores vistas de Portugal, uma excelente gastronomia e um serviço de primeira qualidade. As equipas das selecções nacionais de canoagem e de remo de vários países europeus que aqui estagiam anualmente, já o descobriram...
Ancoradouro do hotel e ponte de Mosteirô
Entrada para o hotel de Porto Antigo


Reúne alguns dos principais condimentos que elejo quando assumo a condição de viandante: fica literalmente "em cima" do Douro, tem excelente gastronomia, é um ponto estratégico para ver passar os barcos de turismo de todos os tamanhos e tipos e... tem a linha do Douro mesmo em frente! Que mais poderia pedir? Apetece ali ficar a ver correr os dias; sentado na esplanada a tomar um aperitivo ao final da tarde, sentido o imperceptível balouçar da estrutura que flutua no rio, vendo as cores a mudar no horizonte, esperando que nos sirvam o jantar que se pode prolongar depois ao sabor dos caprichos da meteorologia. Os únicos ruídos são os de um ou outro carro que passam na estrada e na ponte, os comboios que com alguma frequência passam em frente e os saltos e mergulhos dos peixes no rio.
Vista da varanda do quarto
Como a tarde ainda ia a meio, resolvemos atravessar a ponte e olhar a paisagem do outro lado do rio, passando por Porto Manso, com os viadutos do caminho de ferro ao lado, o célebre viaduto da Pála e a localidade com o mesmo nome, com uma vista espectacular sobre o rio no ponto onde a albufeira de Carrapatelo transforma o Douro num grande e maravilhoso lago.
Pála - ao fundo o hotel de Porto Antigo



Vagarosamente, regressámos para parar em frente do viaduto de Pála, à espera que o comboio aparecesse...








Viaduto de Pála








E lá apareceu...





Cais de Porto Antigo
Regressámos ao hotel, sentando-nos um pouco na esplanada, a gozar o afago do sol e a esplêndida paisagem.













A temperatura depois do sol se esconder não aconselhava o jantar na esplanada, por isso optámos pela ampla sala de jantar, toda rodeada de enormes vidraças, para nem ali se perder a soberba vista sobre o Douro.
Crepúsculo em Porto Antigo
Por sugestão da chefe de sala, escolhemos uma posta arouquesa, que vinha acompanhada por umas batatinhas a murro e uns grelos, bem acompanhados por um tinto do Douro, como não podia deixar de ser! A carne estava divinal! Tenríssima, com um sabor delicioso, proporcionou-nos um final de dia inexcedível. As sobremesas, em "buffet", eram também todas excelentes. O café, foi tomado na esplanada, junto às águas plácidas do rio. Tudo perfeito! A oferta e o serviço deste hotel pede meças ao das pousadas de Portugal.

    Já anoitecera entretanto e a paisagem modificara-se, mas não perdera qualidade. Com todas as quintas ribeirinhas iluminadas profusamente e a ponte cheia de luzes que lhe emprestavam um simulacro de incêndio, o espectáculo continuava.

Ancoradouro do hotel e ponte de Mosteirô.
 Mas o peso da lauta refeição entretanto já produzia o seu efeito, ajudado pelos eflúvios interiores do néctar duriense encaminhando-nos para o quarto. Ainda estivemos à varanda a apreciar tão linda paisagem e o efeito da piscina iluminada, por baixo dos quartos, mesmo a pedir um saltinho lá para dentro...


No dia seguinte pela manhã, nem apetecia sair da varanda do quarto que nos oferecia tão linda vista, com a vastidão do rio banhado pelo sol.









À varanda do quarto
Mas o pequeno almoço chamava por nós e a estas solicitações não convém fazer esperar... Até porque nós já conhecendo o banquete que constitui o pequeno almoço no hotel de Porto Antigo, apressámo-nos a descer para pôr freio ao stress digestivo. E não ficámos desiludidos!
   Depois de mais um festim gastronómico, preparámo-nos para partir, pois tudo tem um fim, especialmente o que é bom. Fomos ainda até meio do tabuleiro da ponte e depois de mais umas fotos, relutantemente partimos, não sem antes termos registado ainda a passagem de um último comboio sobre o viaduto da Pála...

Ainda um último comboio...
A estrada que sobe para Cinfães, tem um desvio que dá acesso à barragem de Carrapatelo. É estreitíssima e perigosa, mas só queríamos percorrê-la num curto troço para obter umas fotografias tiradas de um outro plano. Esta estradinha serve para dar acesso às inúmeras quintas de gente abastada que tem o privilégio de gozar estas vistas das suas moradias senhoriais.

Cascata dentro de uma quinta no Douro


Tiradas as fotografias, regressámos a Porto Antigo, agora para prosseguir na estrada que segue para Resende, sempre junto ao Douro










Logo a seguir, um dos barcos da Douro Azul, a caminho da Régua.


Acompanhámo-lo durante algum tempo, enquanto apreciávamos os imensos pomares de cerejeiras, com muitas ainda em flôr, prometendo saborosos e carnudos frutos daqui a 2 meses! E pouco depois, avistávamos a Régua, ao longe.

Régua, vista de Samodães
Desta vez não a visitámos, optando por seguir por Samodães, Cambres e Lamego. Decidimos almoçar aqui. Já se fazia sentir calor e fomos a pé desde o bairro típico de Almacave até ao centro, onde a cidade está toda escavada e esventrada, lembrando-nos que este é ano de eleições autárquicas... Procurámos a sé catedral, que é muito bonita, mas estava fechada! Enfim, o templo sede de um episcopado, encerrado a um domingo é um dos anacronismos em que somos férteis. Com o espírito inconsolável, decidimos desforrar-nos no corpo e logo ali ao lado da sé devorámos uns deliciosos nacos de vitela num dos inúmeros restaurantes típicos daquela zona da cidade. Eram horas de regresso. Seguimos pela nossa estradinha antiga, revisitando as povoações de pitorescas designações, Matança, Matancinha, Magueija, Magueijinha, até Castro Daire, prosseguindo depois por S. Pedro do Sul, Vouzela, Oliveira de Frades. Entre esta vila e Sever do Vouga, resolvi explorar uma cascata que sabia ali existir, num ponto da estrada. Depois de muito trepar e ultrapassar umas moitas de silvas, fui premiado com uma linda cascata que abastecia uma pequena lagoa de águas transparentes.


Continuámos pela bonita estrada que acompanha o rio Vouga e a antiga linha férrea do Vouguinha e que vai acabar em Albergaria a Velha. E depois, o costumado percurso pelo IC-2, por Coimbra, Leiria e Peniche.

    Mais um fim de semana de sonho, mas bastante real, com tudo perfeito. Até ao próximo!

domingo, 14 de abril de 2013

SEMANA SANTA EM CASTELA - 6

      Toda a noite choveu. A manhã de sexta feira santa acordou lacrimosa, invernosa, molhada, enevoada e fria. Para retirar o fio eléctrico do "pimenteiro", foi preciso encher as botas de lama. Saímos do parque, contornámos as rotundas e entrámos na N 110, rumo a Ávila. Contornámos esta cidade pela A-51, retomamdo depois a N-110 até El Barco de Ávila. Aqui, tomámos a AV 100, por Béjar e depois a SA 220, estrada de montanha que atravessa a Sierra de la Pena de Francia. Chovia desalmadamente. Parámos apenas para almoçar, junto de um rio e prosseguimos, por El Cabaco, Ciudad Rodrigo e Vilar Formoso. Aqui começou a levantar-se forte ventania, única componente que faltava para um Inverno perfeito... Perto de Pinhel o vendaval parecia querer virar a autocaravana. Por fim chegámos ao nosso poiso habitual, Mêda, para passar o resto da tarde e pernoitar.
       O dia seguinte, foi de regresso a casa, já sem chuva, com almoço em Gouveia e depois Coimbra, Leiria, Batalha, Peniche.

       Foi uma semana muito bem passada, muito intensa, em que tudo correu muito bem, sempre de acordo com o itinerário e programa elaborados previamente. A chuva foi omnipresente em todos os dias. Visitámos imensos monumentos e chegámos sentindo-nos mais ricos, cultural e espiritualmente. Agora, cumpro estes objectivos com inteira satisfação...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

SEMANA SANTA EM CASTELA - 5

   Quinta feira,28. Durante a noite, uns engraçadinhos tinham vindo bater à porta da autocaravana, certamente por verem a matrícula portuguesa. Talvez pensassem que estava ali o Cristiano Ronaldo... Quando abri a porta, de manhã, vi o banquinho de plástico que nos serve de apoio para subir e descer, queimado e partido. Pagámos o parque, agradecemos a hospitalidade deixando o banquinho na recepção e partimos, debaixo de céu cinzento mas sem chuva. Parámos num supermercado em Navacerrada para comprar alguns abastecimentos, incluindo um daqueles cassetetes a que chamam pão e prosseguimos pela M 614 e M 601. A partir de Navacerrada, o trânsito intensificou-se muito, a ponto de se tornar numa fila compacta, trepando a serra. Parámos quase no topo, numa zona cheia de neve, para descongestionar um pouco.

Puerto de Navacerrada

Já temia que toda aquela gente tivesse como destino as cerimónias de quinta feira santa em Segóvia. Continuámos em pára-arranca até um pouco mais adiante, dentro da localidade de montanha a 1860 m, Puerto de Navacerrada e vimos então que toda aquela gente se dirigia ali, para os desportos de neve e de montanha. Começámos a descer e o trânsito normalizou-se. Pouco depois chegávamos a S. Ildefonso o La Granja, localidade onde existe um grande palácio real, mas não parámos, pois o nosso plano para esse dia era visitar Segóvia, a 10 Km dali. Esse plano, previa contornar a cidade pela N 110 e depois pela CL 605, entrando por poente, pois a polícia já tinha fechado as principais entradas e condicionava fortemente o acesso devido às cerimónias de quinta feira santa. Assim fizemos e sem qualquer dificuldade, acedemos a um parque de estacionamento já escolhido previamente, próximo da catedral. Quando olhei para o piso fiquei aterrado. Será que a viatura não iria desaparecer dentro de uma daquelas "lagoas" distribuídas por todo o "parque"?

Mas apesar do terrível piso, o parque estava completamente cheio. Vislumbrei um cantinho vazio, lá bem ao fundo, fiz um cálculo e a passo de caracol, tentando não mergulhar até ao chassis em nenhuma das crateras, lá me fui aproximando e consegui encaixar o veículo, mesmo tendo que sair para fora de galochas até aos joelhos. Que lindo "cartão de visita" que esta cidade monumental oferece a quem a procura nestes dias festivos! Depois de assistir à manobra de um velhote que chegou num calhambeque e que com a maior calma e descontracção deu uma valente pancada no guarda lama de um carro vizinho e saiu como se nada fosse, seguimos para a cidade, em busca da catedral e da Plaza Mayor, contígua.

Plaza Mayor e catedral de Segóvia
Havia fila para entrar na catedral. A 3€ cada pessoa, é uma mina! Não admira que a receita de turismo seja importantíssima para o PIB espanhol. A disputar anualmente o 1º lugar com a França no que diz respeito a destinos turísticos e com o que cobram por tudo, não é difícil chegar a essa conclusão. Entramos. Aqui não há restrições a fotografias, apesar de existir o habitual sinal de proibição à entrada. Toda a gente apontava e disparava câmaras e eu fiz o mesmo. A catedral é também grandiosa e linda.







Vitrais lindíssimos

Capela do "nosso" Stº António, aqui dito de Pádua...

Riquíssima sala do capítulo













Mais de 20 capelas laterais, cada uma dedicada a um santo. Uma delas era dedicada a Stº António, de Pádua, claro! Para ter um altar em Castela, seria Stº António de Pádua, Milão, Manila ou Kuala Lumpur, mas dificilmente teria aqui um altar alguém de Lisboa...







Os claustros encerram salas com um riquíssimo acervo monumental e artístico, composto por obras de pintura, arte sacra, estatuária, musical, etc.

Saímos e a fila para entrar era agora muito maior, prolongando-se pela plaza mayor. Grande facturação, hoje! Dirigimo-nos ao posto de turismo, onde fomos atendidos com grande simpatia. Eram horas de almoço, para nós, pois o meu estômago não conhece relógios espanhóis. Demos ainda uma volta pelas imediações da catedral, onde existe uma judiaria bem preservada e depois já no caminho para o aqueduto, entrámos num restaurante para almoçar e descansar. A vantagem de sermos portugueses é que somos sempre os primeiros a chegar aos restaurantes, algumas vezes ainda encerrados para refeições. Prepararam-nos a mesa e serviram-nos rapidamente o prato do dia por 10€. A tarde prometia algum sol, ainda que tímido. Descemos uma rua e lá estava o majestoso aqueduto à nossa frente!

Aqui ainda ninguém inventou uma forma de se pagar para o olhar... Toda a zona em volta regurgitava de gente. O acesso de viaturas já estava interdito pela polícia, tendo que dar a volta numa rotunda em frente. Havia imensos japoneses e principalmente sul americanos de etnia índia. Ficámos por ali algum tempo, observando o grande monumento de todos os ângulos, notando o pormenor de os blocos de pedra assentarem uns nos outros sem mais qualquer outro material. Grandiosas obras de arquitectura e engenharia, realizadas há 2 mil anos pelos romanos!















Serra de Guadarrama à janela do aqueduto de Segóvia
   Depois bem observado o aqueduto, inclusive perto do seu topo, embrenhámo-nos de novo no labirinto de ruas antigas da cidade. Encontrámos a Casa dos Bicos, onde decorria uma exposição de fotografia e subindo a rua deparámos de novo com a plaza mayor, agora cheia de gente.

Casa dos bicos
 

 Descemos pela judiaria e dirigimo-nos para a autocaravana com alguma dificuldade em contornar as "piscinas" do piso do estacionamento. Dirigimo-nos para norte, ladeando o rio Eresma e sempre junto a ele, pouco depois avistávamos o perfil altivo e inconfundível do Alcázar de Segóvia. Conseguimos estacionar onde tinha previsto num local que parecia já perto do palácio-fortaleza.





O rio leva um caudal bastante razoável, engrossado pelas chuvas dos últimos dias e fomos avançando  por um caminho que o acompanha por entre vegetação, até a uma grande escadaria que começa na base do enorme penhasco onde foi edificado o Alcázar. Olhando para cima bem se adivinhava o que tínhamos que trepar!

O rio Eresma, com o Alcázar a espreitar
A escada era infindável. De tempos a tempos parávamos para recuperar o fôlego e para espraiar a vista pela linda paisagem que nos era proporcionada. Até que chegámos ao topo e ao jardim que dá entrada para o Alcázar. Este estava cheio de gente, de todas as etnias e raças. Mais 4,50€ para entrar e outros 2 para subir à torre. A subida para a torre, por uma escada em caracol tão estreita que só com grande dificuldade se cruzavam duas pessoas magras, estava tão congestionada que a certo ponto e depois de alguma aflição de pessoas com claustrofobia, a segurança teve que intervir, não deixando subir mais ninguém enquanto houvesse gente lá em cima. Mas a extenuante subida é recompensada por uma vista espectacular, quer da cidade, quer das suas imediações e serras longínquas.

Vista a partir das ameias da torre
A visita é algo demorada, mas vale bem o preço da entrada. Trata-se de um palácio muito rico, com um recheio composto por salas de recepção, de lazer, de exposição museológica muito vasta, com obras de arte, armaria, tendo várias salas paredes e tectos riquíssimos.












Sala do trono



Já cansados, saímos finalmente, mas muito satisfeitos. Descemos a longa escada, agora mais fácil, apesar do cansaço acumulado e lá em baixo arranjámos ainda coragem para espreitar a vizinha igreja de Vera Cruz, muito velhinha e para a qual houve que desembolsar mais 2€. Procurámos depois a autocaravana para descansar. Fizemos então o percurso em sentido inverso, contornando a cidade por fora e chegados à rotunda do lado sul, onde nos leva a N 110, seguimos para o centro da cidade. A 3 Km antes desse centro e duas rotundas depois, temos o camping El Acueduto à direita, à nossa espera. A maioria dos alvéolos estavam impraticáveis pelo excesso de água e lama. Acomodámo-nos o melhor que pudemos, depois de pagar 26€ pela noite de estadia... Começa a ser quase tão caro pernoitar num parque de campismo em Espanha como dormir num hostal. O parque é razoável, sendo um bom ponto de apoio para passear na cidade, pois tem uma paragem de autocarro em frente, mas é caro. A chuva entretanto, recomeçara a cair com força, fazendo-nos companhia pela noite dentro.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

SEMANA SANTA EM CASTELA - 4

      A noite, para variar, foi de chuva. Mas na manhã do dia seguinte, quarta feira 27, o céu estava parcialmente azul. Penso que o clima sabia que eu tinha planeado não sair nessa manhã. Mantivemo-nos pelo parque, almoçámos e quando cruzámos o portão do parque para sair, rumo a El Escorial, o céu escureceu e pouco depois a chuva caía impiedosamente! Quando entrámos em S. Lorenzo de El Escorial, a cerca de 20 Km do parque, a chuva era torrencial. Providencialmente, o parque de estacionamento junto ao palácio estava quase vazio. A razão, descobri-a quando me acerquei do distribuidor automático de bilhetes e verifiquei os preços. 2,50€ cada hora. Coloquei 4€ na máquina e, debaixo de um dilúvio que o guarda chuva só evitava parcialmente, corremos para a entrada do palácio. Ali já havia imensa gente de todas as nacionalidades. Às quartas feiras à tarde a entrada é gratuita para os cidadãos da União Europeia. Não paguei eu, pagou a autocaravana... Máquina fotográfica, chaves, carteiras, tudo tem que passar por um scanner. Eu entrei e logo começou a tocar um alarme. Segurança de nariz no ar, era o guarda chuva que levava na mão e que teve que retroceder. Imensos corredores a percorrer até uma ampla sala bem sinalizada onde era obrigatório deixar os objectos volumosos, como mochilas, casacos ou... guarda chuvas! Mais uns largos minutos até aprender como tudo aquilo funcionava e entretanto tinha-se passado meia hora.
     Finalmente, começou a visita, pelas caves onde existem exposições várias sobre a construção do edifício, materiais e ferramentas utilizadas e pintura, dezenas de quadros. O palácio é um colosso e a parte disponível para visita é uma pequena amostra. Ainda assim, o cálculo que fiz quando deixei o bilhete de estacionamento, foi mal feito. O acervo é riquíssimo e para ser visto sem pressas. São salas e salas, subindo e descendo escadarias e o tempo passa sem darmos por ele. O panteão é de uma sumptuosidade arrebatadora. Ali estão os mausoléus de dezenas de reis de Espanha, envoltos num ambiente que requeria mais discrição e mais tempo para absorver toda a mística que se desprende da última morada dos homens mais poderosos do mundo do seu tempo. As salas com monumentos fúnebres, desta vez de infantes e alta nobreza, sucediam-se. Mas o tempo passava rapidamente e a última parte da visita já foi feita de forma bastante apressada.

Tecto de uma das salas do palácio de El Escorial
Os seguranças eram muitos e bastante vigilantes, não nos deixando tirar fotografias. Um pouco já a correr, acabámos a visita, fomos recolher o chapéu de chuva e dirigimo-nos apressadamente para o estacionamento onde, apesar da chuva que caía copiosamente, já andava um polícia a verificar os talões do estacionamento. Lá fui tirar mais um bilhetinho por 1€, para uns minutos apenas, só para poder tirar umas fotografias cá fora.

Palácio de El Escorial

Agora já havia uma fila enorme para entrar, que saía bem pela rua fora, para aproveitar a tarde gratuita.


Tiradas as fotos regressámos à autocaravana para, sempre debaixo de chuvaria, nos pormos ao caminho de regresso ao parque. Estava terminada a quarta feira e mais uma visita ao património monumental da região.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

SEMANA SANTA EM CASTELA - 3

    Terça feira 26. Mais um dia de chuva, para variar. Feito o pagamento e as despedidas ao simpático dono do parque, partimos sem regressar a Salamanca, pela estrada secundária DSA-650, por Encinas de Abajo e entrada então na A-50, até à saída 4, já junto de Ávila, o primeiro objectivo do dia. Chegámos pelas 11 horas, sempre debaixo de chuva miúda. A cidade fica na sua maioria dentro das majestosas muralhas e o mais fácil é estacionar nas avenidas exteriores que a circundam. Foi o que fizemos. Havia um parquímetro muito disfarçado, que me emitiu um bilhete para 4 horas por 0,45€. Até pensei que estava a ver mal... Dois dos torreões estavam a ser intervencionados, para manutenção do estado impecável das muralhas, património mundial da humanidade.

Muralhas de Ávila. No fim da fila, a autocaravana a descansar...
Entrámos por uma das portas na muralha e vimo-nos imediatamente num labirinto de ruas estreitas, com sabor medieval, num ambiente muito menos cosmopolita do que em Salamanca. Desembocámos na plaza mayor, também sem comparação com a salamantina.

Plaza Mayor de Ávila
Percorremos mais umas ruas e procurámos de seguida a catedral. Por fora, não tem grande aspecto, sem  torres monumentais ou ornamentos arquitectónicos. Pagámos 3€ de bilhete e logo à entrada vimos que o interior era uma agradável surpresa.

Catedral de Ávila
 É de facto muito bonita, com um rico conjunto de vitrais e um claustro com variadíssimas capelas e salas com valiosos recheios. Vale bem a pena a visita. Saímos e fomos até um ponto onde existia uma bilheteira para quem quisesse subir à muralha. Já lá estava uma francesa a protestar ininteligivelmente, mas adivinhava-se a verborreia. Espreitei e concordei com ela: 5€ para subir à muralha! Estes espanhóis fazem dinheiro até com cascas de alho! Afastei-me rapidamente, não fossem cobrar-me só por olhar para as muralhas e fomos almoçar. Na plaza mayor, um restaurante despretensioso, cobrou-nos 9€ pelo prato do dia. Sofrível. Demos mais uma volta pelas ruelas e regressámos à autocaravana, contemplando a robustez das torres (88) e das muralhas (2500 m de perímetro) muito bem preservadas.


Já andavam a libertar o estacionamento para a procissão dessa noite. Voltámos pelo mesmo caminho e parámos num miradouro antes de entrar na A-51, chamado Quatro Postes, local onde Stª Teresa foi apanhada pelo tio quando fugia de casa. É o melhor local para contemplar Ávila, de longe.


Saímos da A-51 e entrámos na N 110, pois aquela transforma-se em AP 51 e é paga. Em Villacastin passámos para a N VI que atravessa a Serra de Guadarrama. O trânsito nesta estrada era intenso. O estado do tempo agravou-se, com a chuva a intensificar-se e na subida para Puerto de Guadarrama, a 1500 m, o nevoeiro deu ainda uma ajuda. Via-se muita neve e o frio era bastante intenso. Dentro de Guadarrama, virámos para a M 600 e pouco depois apareceu a entrada para o Valle de los Caídos. Mais 5€ para entrar. Há que percorrer 6 Km depois do portão de entrada até chegar ao monumento. Estavam apenas estacionados 2 autocarros e alguns ligeiros. O funicular que leva até à gigantesca cruz, estava fora de serviço, para manutenção.


Sempre debaixo de chuva, percorremos as centenas de metros que levam até à entrada na basílica onde estão sepultados Primo de Rivera e Francisco Franco. O altar é escavado na rocha e fica precisamente por baixo da base da cruz que está em cima do monte rochoso. É impressionante a magnificência de todo o conjunto.

Basílica de Valle dos Caídos
Saímos e agora a chuva desabava com intensidade. Sem guarda chuva, apanhámos uma valente molha até à autocaravana, onde houve que trocar de roupa enquanto o dilúvio caía. Mais 6 Km até ao portão de saída, de novo M-600 por El Escorial, M 512 até Robledo de Chavela. Nesta pequena localidade, vimos um sinal a proibir veículos com mais de 4m de altura. Tudo bem, portanto. A rua começou a estreitar e subitamente apareceu a entrada para um túnel com um sinal a limitar a altura a 1,90m!! A largura era a da autocaravana e olhando para o espelho, a rectaguarda já estava bloqueada por uma série de veículos. Parei, pois a altura não era suficiente para passar. Um espanhol começou a fazer sinais. Saí, disse-lhe que não tinha altura para passar e ele disse que o 1,90m era só para um desvio que havia dentro do túnel, que dava acesso a um parque de estacionamento, ou seja, o túnel tinha altura. Lá entrei, confirmei, e passei! Enfim, por ali também há armadilhas! M 537, com muitas subidas e curvas e pouco depois estávamos no nosso destino, Valdemaqueda e o camping "El Canto de La Gallina". Parque grande, com bons serviços, mas caro: 20€ por noite e a internet paga à parte (5€ por dia). Acomodámo-nos e assim passou o resto do dia.