| Puerto de Navacerrada |
Já temia que toda aquela gente tivesse como destino as cerimónias de quinta feira santa em Segóvia. Continuámos em pára-arranca até um pouco mais adiante, dentro da localidade de montanha a 1860 m, Puerto de Navacerrada e vimos então que toda aquela gente se dirigia ali, para os desportos de neve e de montanha. Começámos a descer e o trânsito normalizou-se. Pouco depois chegávamos a S. Ildefonso o La Granja, localidade onde existe um grande palácio real, mas não parámos, pois o nosso plano para esse dia era visitar Segóvia, a 10 Km dali. Esse plano, previa contornar a cidade pela N 110 e depois pela CL 605, entrando por poente, pois a polícia já tinha fechado as principais entradas e condicionava fortemente o acesso devido às cerimónias de quinta feira santa. Assim fizemos e sem qualquer dificuldade, acedemos a um parque de estacionamento já escolhido previamente, próximo da catedral. Quando olhei para o piso fiquei aterrado. Será que a viatura não iria desaparecer dentro de uma daquelas "lagoas" distribuídas por todo o "parque"?
Mas apesar do terrível piso, o parque estava completamente cheio. Vislumbrei um cantinho vazio, lá bem ao fundo, fiz um cálculo e a passo de caracol, tentando não mergulhar até ao chassis em nenhuma das crateras, lá me fui aproximando e consegui encaixar o veículo, mesmo tendo que sair para fora de galochas até aos joelhos. Que lindo "cartão de visita" que esta cidade monumental oferece a quem a procura nestes dias festivos! Depois de assistir à manobra de um velhote que chegou num calhambeque e que com a maior calma e descontracção deu uma valente pancada no guarda lama de um carro vizinho e saiu como se nada fosse, seguimos para a cidade, em busca da catedral e da Plaza Mayor, contígua.
| Plaza Mayor e catedral de Segóvia |
Vitrais lindíssimos
| Capela do "nosso" Stº António, aqui dito de Pádua... |
| Riquíssima sala do capítulo |
Mais de 20 capelas laterais, cada uma dedicada a um santo. Uma delas era dedicada a Stº António, de Pádua, claro! Para ter um altar em Castela, seria Stº António de Pádua, Milão, Manila ou Kuala Lumpur, mas dificilmente teria aqui um altar alguém de Lisboa...
Os claustros encerram salas com um riquíssimo acervo monumental e artístico, composto por obras de pintura, arte sacra, estatuária, musical, etc.
Saímos e a fila para entrar era agora muito maior, prolongando-se pela plaza mayor. Grande facturação, hoje! Dirigimo-nos ao posto de turismo, onde fomos atendidos com grande simpatia. Eram horas de almoço, para nós, pois o meu estômago não conhece relógios espanhóis. Demos ainda uma volta pelas imediações da catedral, onde existe uma judiaria bem preservada e depois já no caminho para o aqueduto, entrámos num restaurante para almoçar e descansar. A vantagem de sermos portugueses é que somos sempre os primeiros a chegar aos restaurantes, algumas vezes ainda encerrados para refeições. Prepararam-nos a mesa e serviram-nos rapidamente o prato do dia por 10€. A tarde prometia algum sol, ainda que tímido. Descemos uma rua e lá estava o majestoso aqueduto à nossa frente!
Aqui ainda ninguém inventou uma forma de se pagar para o olhar... Toda a zona em volta regurgitava de gente. O acesso de viaturas já estava interdito pela polícia, tendo que dar a volta numa rotunda em frente. Havia imensos japoneses e principalmente sul americanos de etnia índia. Ficámos por ali algum tempo, observando o grande monumento de todos os ângulos, notando o pormenor de os blocos de pedra assentarem uns nos outros sem mais qualquer outro material. Grandiosas obras de arquitectura e engenharia, realizadas há 2 mil anos pelos romanos!
| Serra de Guadarrama à janela do aqueduto de Segóvia |
| Casa dos bicos |
Descemos pela judiaria e dirigimo-nos para a autocaravana com alguma dificuldade em contornar as "piscinas" do piso do estacionamento. Dirigimo-nos para norte, ladeando o rio Eresma e sempre junto a ele, pouco depois avistávamos o perfil altivo e inconfundível do Alcázar de Segóvia. Conseguimos estacionar onde tinha previsto num local que parecia já perto do palácio-fortaleza.
O rio leva um caudal bastante razoável, engrossado pelas chuvas dos últimos dias e fomos avançando por um caminho que o acompanha por entre vegetação, até a uma grande escadaria que começa na base do enorme penhasco onde foi edificado o Alcázar. Olhando para cima bem se adivinhava o que tínhamos que trepar!
| O rio Eresma, com o Alcázar a espreitar |
| Vista a partir das ameias da torre |
| Sala do trono |
Já cansados, saímos finalmente, mas muito satisfeitos. Descemos a longa escada, agora mais fácil, apesar do cansaço acumulado e lá em baixo arranjámos ainda coragem para espreitar a vizinha igreja de Vera Cruz, muito velhinha e para a qual houve que desembolsar mais 2€. Procurámos depois a autocaravana para descansar. Fizemos então o percurso em sentido inverso, contornando a cidade por fora e chegados à rotunda do lado sul, onde nos leva a N 110, seguimos para o centro da cidade. A 3 Km antes desse centro e duas rotundas depois, temos o camping El Acueduto à direita, à nossa espera. A maioria dos alvéolos estavam impraticáveis pelo excesso de água e lama. Acomodámo-nos o melhor que pudemos, depois de pagar 26€ pela noite de estadia... Começa a ser quase tão caro pernoitar num parque de campismo em Espanha como dormir num hostal. O parque é razoável, sendo um bom ponto de apoio para passear na cidade, pois tem uma paragem de autocarro em frente, mas é caro. A chuva entretanto, recomeçara a cair com força, fazendo-nos companhia pela noite dentro.
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