terça-feira, 20 de março de 2012
FRANÇA 2010
Quero pedir desculpa aos eventuais leitores deste blogue, por ter interrompido a descrição da viagem a França, logo no seu início. É que me aconteceu um percalço informático, que me apagou os registos do disco onde estavam todas as minhas fotografias dos últimos seis anos, imprudentemente sem cópias de segurança. Ninguém lamenta mais do que eu, como é óbvio. Foi preciso começar com a viagem a França para isto acontecer... Assim, ficamos apenas com a introdução, pois apesar do texto estar integralmente escrito, sem a ilustração das fotos, não tem o realce que merece.
domingo, 11 de março de 2012
FRANÇA 2010- 1 (Villefranche de Conflent)
Como o Verão se aproxima a passos largos (no calendário, porque meteorologicamente já cá está), decidi colocar no blogue uma viagem efectuada em Julho de 2010. Apesar do tempo já decorrido, poderá servir de ajuda ou de sugestão a alguém que ainda esteja indeciso sobre o destino a escolher para este ano. A zona é o sueste de França com especial relevância para as Gorges du Tarn.
Todos os anos elegemos uma restrita zona para explorar o mais exaustivamente que possamos, durante duas semanas, no Verão. Nos últimos anos temo-nos dedicado ao Norte de Espanha e ao Sul de França. Este ano (2010), coube a vez ao Languedoc/Roussillon, tendo como objectivos principais a cidade de Carcassonne e a Rota dos Cátaros, o viaduto de Millau, a zona de Gorges du Tarn e o comboio turístico "Le Train Jaune", que este ano comemorou 100 anos de existência, precisamente no dia em que nele viajámos, 20 de Julho de 2010.
A tão feliz e inesperada efeméride, acrescentámos ainda nesse dia as nossas bodas de prata, transformando-o assim numa jornada plena de alegria e significado.
O meio de transporte utilizado, foi a pequena autocaravana de que dispomos e que nos permite continuar a fazer o que sempre nos motivou nas nossas viagens: o contacto com a Natureza, a exploração de todos os recantos, aldeia a aldeia, privilegiando as estradas secundárias e municipais, por vezes até caminhos de terra, utilizando apenas as auto-estradas nas grandes deslocações e travessias de aproximação à zona escolhida.
Assim e como somos desde sempre apaixonados pelo rio Douro, seus fãs incondicionais e sua visita assídua, decidimos passar a primeira noite junto do seu berço, perto de Vinuesa e da Laguna Negra de Urbion (Sória), onde nasce. Como o destino era o Sueste de França e o tempo curto, havia que atravessar Espanha o mais rapidamente possível, tentando também assim escapar o melhor que pudéssemos ao intenso calor que se fazia sentir. Deste modo, ao final do segundo dia chegávamos ao parque de campismo escolhido, na cidadezinha francesa fortificada de Villefranche de Conflent, ponto de partida da turística linha de comboio que este ano comemora o seu centenário, como já se disse.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
CARNAVAL 2012 - 4
| Rabaçal às 8,30 H |
| Rio Rabaçal em degelo |
![]() |
| Eclusa da barragem do Pocinho |
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
CARNAVAL 2012 - 3
| Parque biológico de Vila Flor |
| Parque biológico de Vila Flor |
![]() |
| Parque de campismo de Valpaços |
| Ponte romana sobre o Rabaçal |
domingo, 26 de fevereiro de 2012
CARNAVAL 2012 - 2
![]() |
| Barragem da Valeira |
| Barragem do Peneireiro-Vila Flor |
sábado, 25 de fevereiro de 2012
CARNAVAL 2012 - 1
Costumo dedicar sempre os dias de Carnaval ao espectáculo todos os anos renovado, das amendoeiras em flor. Este ano, apesar de saber antecipadamente que, devido ao intenso frio seco que se tem feito sentir, a floração está muito atrasada, resolvi não faltar à chamada e lá fui. O itinerário foi desenhado para cinco dias, a começar no sábado, dia 18 de Fevereiro e a acabar a 22.
Como habitualmente, a primeira paragem foi no Intermarché de Óbidos, para abastecimentos. Utilizámos a A-8 até à Marinha Grande, apanhando depois o IC-2, de Leiria até Coimbra. A partir daqui seguimos pela velhinha mas muito apreciada Nº 17, minha companheira de muitos anos, dos tempos em que o nosso país era pobre e os únicos quilómetros de autoestrada existentes eram de Lisboa a Condeixa-a-Nova e de Albergaria ao Porto. É uma estrada muito bonita, conhecida por "estrada da Beira", por ser uma das principais vias de penetração do litoral para o interior beirão, antes do advento das autoestradas. Os primeiros quilómetros têm quase sempre por companhia o rio Ceira, desde Coimbra até ao cruzamento para Foz de Arouce e Lousã. Muitas curvas, é um percurso para se fazer devagar, ideal para quem não tem pressas. Paragem no parque de merendas do Senhor das Almas, às portas de Oliveira do Hospital, para almoço. Depois do obrigatório cafézinho no bar ali ao lado, prosseguimos até Celorico da Beira. A partir daqui já existe o IP-2 renovado, com excelente piso, duas faixas de rodagem em boa parte do percurso, mas optei pela estrada antiga, a Nº 102, onde posso parar quando e onde quero, onde há as minhas velhas conhecidas fontes, embora quase todas secas, pela falta de água, mas sobretudo pela incúria, onde existem povoações que atravesso sempre com interesse. Passámos Marialva, desta vez sem parar e logo de seguida virámos à esquerda para Longroiva. A estância termal aqui existente foi toda renovada há pouco tempo e reequipada com um novo balneário, ginásio e todos os modernos tratamentos de saúde e bem estar actualmente existentes. Longroiva tem um castelo de pequena dimensão, que fazia parte da linha defensiva do Côa, actualmente aproveitado para cemitério da aldeia. Daqui a Meda, a sede de concelho, são cinco quilómetros, que fazemos rapidamente para chegar ao parque de campismo antes das 17,30 H, hora de encerramento no Inverno. É um parque recente, muito acolhedor, dentro da cidade mas sossegado e não é caro. É um dos nossos eleitos, como base de apoio para as muitas surtidas ao Douro que fazemos durante o ano. Ali pernoitámos no primeiro dia.
![]() |
| Amendoeiras em flor 2011 |
| Castelo de Longroiva |
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
CASA DE CANILHAS - 2
Passámos pelo portão de entrada, descemos a rampa de acesso e deparámos com uma bela casa solarenga, ostentando um brasão na fachada. Mas o nosso olhar foi de imediato atraído pelo soberbo espectáculo que tínhamos em frente: ao fundo das encostas cobertas de vinhedos, espreguiçava-se o Douro, languidamente, saboreando no seu percurso o calmo entardecer. Esta é para mim uma das mais belas paisagens que Portugal tem para oferecer a quem as sabe apreciar. Fomos recebidos com toda a simpatia pela proprietária, D. Maria, que nos mostrou os principais aposentos da casa, todos extremamente confortáveis e de que realço a sala de estar, decorada com requinte e bom gosto, onde crepitava um acolhedor lume na lareira. Mais uma vez, das enormes janelas e portadas, desenhava-se o belo quadro que a pródiga natureza do local punha diante dos nossos olhos. Fomos em seguida para o nosso quarto, acomodar-nos e aproveitar a fantástica vista antes do anoitecer. Arrefeceu rápida e intensamente e entretanto eram horas de jantar. Esta vida errante faz abrir o apetite! A nosso pedido, aconselharam-nos a tasca do Zéquinha, para acalmar as insistentes reclamações do estômago. E lá fomos, a caminho de Mesão Frio, que dista apenas dois ou três quilómetros. As ruas estavam desertas, percorridas apenas pelo frio cortante. No centro, descobrimos o que procurávamos, um estabelecimento sem pretensões. O dono, muito prestável, conduziu-nos ao primeiro andar, onde se encontrava já um casal a ocupar uma das quatro mesas disponíveis. Rapidamente apareceram umas azeitonas, pequenas em tamanho mas grandes no paladar, bem acompanhadas por um caneco de vinho tinto de divinal sabor e um pão caseiro a não destoar. Logo de seguida, duas belas pataniscas acabadas de cozinhar! Eu já não precisava de mais nada. Ainda assim, encomendámos uns lombinhos de vitela. E fizemos bem. Pouco depois, trouxeram-nos três medalhões de carne com batatas fritas às rodelas e umas pequenas couves tronchudas, acompanhadas por uma salada de tomate. A carne quase se desfazia ao contacto da faca. O sabor, indescritível... Até as batatas, as couves e a salada tinham um sabor incomparável! Também é nisto que Portugal dá cartas! Onde é que a comida tem este sabor? Rematámos com um leite creme, o elo mais fraco da refeição, secundado por um café. O preço não foi de tasca, mas demo-lo por bem empregue. Satisfeitos, regressámos à Casa de Canilhas, onde nos aconchegámos junto do belo fogo que ardia no acolhedor salão. Ainda folheámos uns livros sobre o Douro, claro, enquanto ocasionalmente o olhávamos lá em baixo, pelas vidraças das grandes portadas, brilhando sob o luar. Amodorrados pelo calor da lareira e pelo estômago extasiado, recolhemo-nos ao quarto, para uma noite de sono repousante.
No dia seguinte, o mesmo regalo para a vista. O sol ainda não aparecera, escondido lá para os lados da Régua, a nascente. A bruma pairava sobre os cumes dos montes vizinhos, escondendo também alguns trechos do rio. Quando começou a espreitar, houve uma explosão de cor e de mudanças sucessivas de tonalidade. Não há pintor que disponha de tal paleta de cores! Com alguma relutância, dirigimo-nos à sala do pequeno almoço, onde já nos esperava uma lauta refeição. Deliciosos pãezinhos, variadas compotas e doces caseiros, saborosos queijos regionais, leite, café, enfim, novo festim para o paladar! E como tudo tem um final, especialmente o que é bom, chegou a hora de partir. Partimos pela N108, por Barqueiros, Stª Marinha do Zêzere, Ancede. Esta estrada é para se percorrer muito devagar, apreciando as lindas paisagens e o Douro sempre presente. As vistas alargam-se a partir da estação ferroviária de Pala. Aí o rio agiganta-se, formando um enorme lago, pois a barragem de Carrapatelo já não fica longe. É uma zona de enorme beleza, com os viadutos ferroviários altíssimos e o cais de Porto Antigo ao longe. Atravessamos a bela ponte rodoviária e paramos no parque de estacionamento do hotel de Porto Antigo. Aí repousam no inverno os três navios de cruzeiro no Douro, Fernão de Magalhães, Infante D. Henrique e Vasco da Gama. São quase horas de almoço e apressamo-nos a continuar rumo a Cinfães, onde chegamos pouco depois. Logo à entrada, o restaurante "O Rabelo". Nem procuramos mais. Boa comida, melhor bebida, um anho assado no forno, excelente vinho tinto, sobremesa "buffet", mas má surpresa quando chegou a conta. E o café ao preço de Espanha: 0,95€ por um café em Cinfães... Atravessámos depois a serra de Montemuro pela Nº 321 até Castro Daire, estrada muito bonita, habitualmente cortada quando neva, e a N 2 até Viseu. Depois o IP-3 até Coimbra, com muitas obras nos viadutos da barragem da Aguieira, N1 até Leiria e A-8 até Casa.
Excelente fim de semana sob todos os aspectos: o tempo, a gastronomia, e a qualidade do alojamento da Casa de Canilhas. Ansiamos já pela próxima escapadela...
| Viaduto da Pala à passagem do comboio |
| Vista de cima do cais de Porto Antigo |
| Os três "gémeos" no cais de Porto Antigo |
Passámos pelo portão de entrada, descemos a rampa de acesso e deparámos com uma bela casa solarenga, ostentando um brasão na fachada. Mas o nosso olhar foi de imediato atraído pelo soberbo espectáculo que tínhamos em frente: ao fundo das encostas cobertas de vinhedos, espreguiçava-se o Douro, languidamente, saboreando no seu percurso o calmo entardecer. Esta é para mim uma das mais belas paisagens que Portugal tem para oferecer a quem as sabe apreciar. Fomos recebidos com toda a simpatia pela proprietária, D. Maria, que nos mostrou os principais aposentos da casa, todos extremamente confortáveis e de que realço a sala de estar, decorada com requinte e bom gosto, onde crepitava um acolhedor lume na lareira. Mais uma vez, das enormes janelas e portadas, desenhava-se o belo quadro que a pródiga natureza do local punha diante dos nossos olhos. Fomos em seguida para o nosso quarto, acomodar-nos e aproveitar a fantástica vista antes do anoitecer. Arrefeceu rápida e intensamente e entretanto eram horas de jantar. Esta vida errante faz abrir o apetite! A nosso pedido, aconselharam-nos a tasca do Zéquinha, para acalmar as insistentes reclamações do estômago. E lá fomos, a caminho de Mesão Frio, que dista apenas dois ou três quilómetros. As ruas estavam desertas, percorridas apenas pelo frio cortante. No centro, descobrimos o que procurávamos, um estabelecimento sem pretensões. O dono, muito prestável, conduziu-nos ao primeiro andar, onde se encontrava já um casal a ocupar uma das quatro mesas disponíveis. Rapidamente apareceram umas azeitonas, pequenas em tamanho mas grandes no paladar, bem acompanhadas por um caneco de vinho tinto de divinal sabor e um pão caseiro a não destoar. Logo de seguida, duas belas pataniscas acabadas de cozinhar! Eu já não precisava de mais nada. Ainda assim, encomendámos uns lombinhos de vitela. E fizemos bem. Pouco depois, trouxeram-nos três medalhões de carne com batatas fritas às rodelas e umas pequenas couves tronchudas, acompanhadas por uma salada de tomate. A carne quase se desfazia ao contacto da faca. O sabor, indescritível... Até as batatas, as couves e a salada tinham um sabor incomparável! Também é nisto que Portugal dá cartas! Onde é que a comida tem este sabor? Rematámos com um leite creme, o elo mais fraco da refeição, secundado por um café. O preço não foi de tasca, mas demo-lo por bem empregue. Satisfeitos, regressámos à Casa de Canilhas, onde nos aconchegámos junto do belo fogo que ardia no acolhedor salão. Ainda folheámos uns livros sobre o Douro, claro, enquanto ocasionalmente o olhávamos lá em baixo, pelas vidraças das grandes portadas, brilhando sob o luar. Amodorrados pelo calor da lareira e pelo estômago extasiado, recolhemo-nos ao quarto, para uma noite de sono repousante.
| Vista perto da estação de Pala |
Excelente fim de semana sob todos os aspectos: o tempo, a gastronomia, e a qualidade do alojamento da Casa de Canilhas. Ansiamos já pela próxima escapadela...
Subscrever:
Mensagens (Atom)







