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sábado, 7 de janeiro de 2012

ALTO MINHO COM SALTO À GALIZA (2)

Estrada La Guardia-Baiona
E foi o que fizémos: a estrada está em obras numa boa parte do percurso, para construir uma grande berma do lado do mar. Mesmo assim, pudemos parar com frequência, usufruindo das soberbas paisagens que toda ela nos proporciona. Com os olhos regalados, reentrámos em terras lusas pela ponte de Cerveira, a mesma por onde tínhamos saído. Fizemos o percurso em sentido inverso ao da manhã, por Candemil e Covas, mas como ainda tínhamos cerca de uma hora de luz do dia, decidimos subir à Serra D'Arga. Já que a jornada era destinada a oferecer um brinde à vista, pois que terminasse em beleza! Começámos a subida por uma estrada íngreme, com o piso todo enlameado por obras a decorrer. A subida foi-se tornando cada vez mais acentuada, sempre com o piso molhado e extremamente escorregadio. Há pontos bastante perigosos, pelo acentuado declive e ausência de protecção por rails ou qualquer outra. O dia começou a declinar e, na perspectiva de termos que regressar já de noite por estradas desconhecidas e perigosas, com forte probabilidade de terem gelo em algumas curvas, decidimos ir apenas até Arga de S. João e voltar para trás. Tempo apenas para algumas fotografias de ocasião e regresso ao parque de Covas ao anoitecer. A noite estava menos fria do que a anterior, mas ainda a necessitar de aquecimento suplementar...
Barra de Viana do Castelo
No dia seguinte não havia geada no solo nem o frio agredia as faces. Depois dos cuidados de higiene, do pequeno almoço tomado, do pagamento efectuado e das despedidas, pusémo-nos ao caminho, percorrendo a estrada N 301 que liga Paredes de Coura a Caminha. Esta estrada sinuosa é de grande beleza paisagística já que bordeja o rio Coura na maior parte do seu trajecto e transitamos sempre debaixo de verdejante arvoredo. Entrámos em Caminha, vila muito bonita, que assiste à entrada do rio Minho no Atlântico e continuámos pela velha estrada Nº 13, que também tem quase sempre o mar por perto. Atravessámos Viana do Castelo e entrámos na A28, pois tínhamos combinado um almoço com amigos em Barcelos e o tempo já escasseava. Saímos no nó 9 de Esposende e dali a Barcelos foi um pulo. Era dia de feira, uma das maiores e mais antigas do país, o que dificultou bastante a entrada e depois o estacionamento na cidade. Almoçámos, conversámos e a meio da tarde arrancámos rumo a Viana do Castelo, desta feita pela Nº 103. Ainda parámos no ELeclerc de Darque, mesmo junto ao Santoinho, para abastecimentos. Depois fomos em busca do parque da Orbitur, no Cabedelo, mesmo na foz do rio Lima e da barra de Viana. O parque situa-se mesmo em frente da praia, óptima localização e tem muitas sombras proporcionadas por gigantescos pinheiros. Fica-se ali muito bem no Verão, certamente. Ainda deu tempo para um passeio ao entardecer, no areal. No dia seguinte estava de novo um frio cortante. Ainda tentámos voltar à praia para umas últimas fotos, mas o passadiço de madeira estava coberto de gelo o que impediu o nosso intento. Assim, partimos, gelados, até ao Eleclerc de Darque, de novo, onde abastecemos de gasóleo e de pão fresco. O regresso fez-se pela Nº 13, até o trânsito se tornar caótico e obrigar-nos a entrar na A28 até ao Porto. Atravessámos o Douro pela Arrábida e entrámos na Nº1 nos Carvalhos. Parámos logo aí, no santuário da Sª da Saúde para almoço e depois continuámos sem mais história até Leiria, onde, como sempre,  entrámos na A8 até casa. E assim chegámos ao termo deste terrível ano de 2011, ano de grandes mudanças em termos pessoais, mas que finda da melhor forma: a passear e a contribuir para reanimar a nossa economia...  

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ALTO MINHO COM SALTO À GALIZA (1)

          Este ano decidi, pela primeira vez, dar um passeio mais alargado na semana que separa o Natal do ano novo. Bom tempo, céu azul, "ála moço", como se diz por estas bandas. Feita a última vistoria à autocaravana, partimos de S. Bernardino-Peniche, pelas 9 horas, com a paragem já habitual no Intermarché de Óbidos para abastecimentos, quer de gasóleo menos caro, quer de produtos frescos e alguns mimos. Retomada a A8, continuámos até à saída da Marinha Grande para apanhar a velhinha Nº1, redenominada IC2. Como temos muito tempo, só uso autoestradas em situação de excepção. Assim, prosseguimos rumo a Norte, com a primeira paragem num sítio já habitual para o almoço, junto a uma bela ponte desactivada sobre o rio Marnel, Lamas do Vouga. Depois do obrigatório cafézinho, continuámos na Nº1 até Gaia. Saímos no nó de Avintes, já que a ideia era atravessar o Douro na barragem de Crestuma-Lever, para fugir à costumeira travessia do Grande Porto. Foi o que fizemos, percorrendo depois a bela estrada Nº 108, sempre junto ao Douro, até Entre-os-Rios. Aqui começou a intensificar-se o trânsito, agravando-se mais ainda antes de Penafiel. Uma das desvantagens desta altura do ano é a duração da luz do dia. A intenção inicial de fazer todo o percurso por estradas secundárias teve que ser alterada face ao rápido entardecer e ao largo percurso ainda em falta. Assim, entrámos na A11 no nó de Lousada, entroncando na A3 em Braga, saindo depois na saída 13, para Paredes de Coura e V N de Cerveira, cerda das 19 horas. O objectivo era o parque de campismo de Covas, muito bem localizado, no ambiente típico do Alto Minho, debaixo de frondoso arvoredo, muita água, perto do rio Coura e da serra D'Arga. Já ali havíamos ficado há uns anos, debaixo de intenso temporal. Não há qualquer sinalização à saída da autoestrada. Não se via vivalma, dado o intenso frio que se fazia sentir. Na dúvida, socorremo-nos do GPS, instrumento em que não deposito grande confiança, com razão, como ficou logo a seguir demonstrado. Vire na primeira à esquerda, contorne a rotunda, siga 2 quilómetros, blá,blá,blá, vimo-nos enfiados no meio de uma aldeola escura numa ruela estreita e íngreme, os espelhos da autocaravana a roçar nas paredes dos casebres, filme em que já tenho participado noutras ocasiões... Mais uma vez acabei por seguir o meu instinto e não dar ouvidos à "menina" que, depois de baralhada e sempre a recalcular, acabou por se calar. Finalmente lá chegámos à entrada do parque, com os portões fechados. Depois do toque na campainha e de enregelar uns bons minutos à espera de alguém, os cumprimentos do dono, instalação, ligação de electricidade, refeição frugal, aquecimento do ambiente, telejornal no PC através do novíssimo MEO-GO, a tradicional partida de cartas e cama.
Moinhos da Gávea
Mosteiro de Oia
Baiona
        O segundo dia amanheceu luminoso mas de frio glacial. O chão do parque estalava sob os nossos pés a caminho da casa de banho. Tudo estava coberto por um manto branco e o ar picava a pele. Tomado o pequeno almoço, arrancámos para mais uma jornada. Paragem num minimercado em Covas para comprar pão fresco e tomar um café quentinho. A estrada apresentava-se perigosa em alguns locais mais sombrios, com gelo fino que nos obrigava a cuidados redobrados. No entanto isso permitia-nos apreciar melhor a grande beleza dos carvalhais ainda com as cores do Outono a espreitar-nos a cada curva. Chegados à estrada Nº 303 que liga Paredes de Coura a V N de Cerveira, parámos num local de grande beleza, os Moinhos da Gávea, moinhos de água restaurados que sucessivamente aproveitavam a força motriz de um curso de água bem provido que depois de passar por baixo de uma linda ponte, mais tarde se vai juntar ao Rio Minho.  Chegados a V N de Cerveira, atravessámos o Rio Minho e entrámos na Galiza rumo a La Guardia. O objectivo para este dia era percorrer a bela estrada entre La Guardia e Baiona, sempre à beira mar. Atravessámos La Guardia sem parar e logo o Atlântico se nos juntou. Este é um percurso para se fazer devagar, com muitas paragens, se bem que no sentido sul-norte não haja muitos locais propícios para isso. Parámos em Oia. Aqui não faltam lugares para estacionar nesta altura do ano. Pequena localidade piscatória, tem um grande mosteiro, bastante degradado, que aguarda restauro e se situa mesmo junto ao mar. Satisfeita a curiosidade, prosseguimos paralelamente a pequenas enseadas, praias sucessivas, belas vivendas plantadas literalmente em cima do mar, até que chegámos a Baiona. Esta já é uma localidade com uma dimensão razoável, com um belo porto cheio de barcos de pesca e de recreio. Tem uma grande frente de mar com uma marginal muito movimentada cheia de restaurantes e bares. Mesmo nesta altura do ano e da tão propalada crise, a frequência era muito apreciável. Como a fome apertava, aproveitámos para almoçar num típico restaurante. O prato teria que passar pelo obrigatório peixe fresco, é claro. Optámos por uns linguados fritos, bem regados por um estupendo alvarinho que mesmo com o tempo fresco caiu divinalmente. Complementámos com o tradicional caldo galego, sopa forte e saborosa. Despedimo-nos com uma daquelas chávenas "acafezadas" que tentam imitar o nosso café expresso... Depois de percorrermos a pé um troço das muralhas, onde pontifica o belo "parador", regressámos pelo mesmo percurso, desta vez com mais possibilidades de parar nos inúmeros recantos merecedores de tal atenção.